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  • Henrique Correia

Élvio Sousa critica "Governo prepotente" que apresenta medidas sem auscultar parceiros políticos



"O repasto governamental no Mercado dos Lavradores no Funchal, por entre ponchas e sandes de carne, vinho e alhos, foi um episódio vergonhoso, abençoado inacreditavelmente pelo Secretário da Saúde. Um mau exemplo, que torna mais atual a frase: aos ricos o favor da lei, aos pobres o rigor da lei.



"Agora, com um aumento brutal do número de casos, coloca-se a tónica no comportamento colectivo, ignorando os maus exemplos reproduzidos pelos próprios governantes."


Élvio Sousa, deputado do partido Juntos Pelo Povo, vai levar ao Parlamento, esta terça-feira, o que considera ser o comportamento do Governo Regional face à pandemia, dentro da linha que aponta como "uma das principais características negativas deste novo governo de coligação (PSD e CDS), a falta de diálogo, arrogância, prepotência e sobranceria".

O contexto é de subida dos números, também na Região. Dentro de pouco tempo, conhecem-se mais medidas restritivas, além daquelas já adotadas, recentemente, com proibição de circulação a partir das 18 horas, aos fins de semana, bem como o encerramento dos restaurantes e bares às 17. O parlamentar refere que "infelizmente, agora, e com todas as consequências para a economia, a saúde e social, somos uma parte igual, ou superior ao todo. Vêm aí medidas mais restritivas, e o Governo Regional, na sua caminhada monologante, teima em não ouvir e auscultar os parceiros políticos. A prepotência continua".

Élvio Sousa admite que "não estão em causa as medidas, muitas delas acertadas", mas aponta o dedo crítico e enumera mesmo que "um dos problemas reside nas atitudes, na ausência de valores humanistas e na arrogância governativa", direcionando para o que diz ser "o “Rei” Albuquerque que caminha continuamente a sua agenda no seu mundo escolhido a dedo".

O deputado compara diferentes fases, compara sobretudo a forma como ocorre a responsabilização das pessoas de acordo com o enquadramento que melhor serve a quem manda: "Quando, numa primeira fase desta pandemia, os casos de covid foram escassos (nos lares e nos profissionais de saúde), as medidas tomadas pelo Governo foram louvadas e enaltecidas aos sete ventos. Ficou para trás o comportamento cívico e coletivo da população. Agora, com um aumento brutal do número de casos, coloca-se a tónica no comportamento colectivo, ignorando os maus exemplos reproduzidos pelos próprios governantes."

O parlamentar do JPP lembra que "durante meses a fio, ouvimos o Presidente do Governo, o vice-presidente e o Secretário Regional da Saúde, a tecer comparações emotivas com a capacidade de resposta e com o número de casos positivos covid-19, entre a Região e os Açores e o Continente Português. A humildade democrática e o sentido de Estado foram ultrapassados pelo bom senso".

E continua a reavivar memórias recentes: "O repasto governamental no Mercado dos Lavradores no Funchal, por entre ponchas e sandes de carne, vinho e alhos, foi um episódio vergonhoso, abençoado inacreditavelmente pelo Secretário da Saúde. Um mau exemplo, que torna mais atual a frase: aos ricos o favor da lei, aos pobres o rigor da lei. Também, aqui, relembramos que essa prepotência atrai a negatividade. A sabedoria popular, apregoa, não te rias do teu vizinho, pois o teu mal virá pelo caminho”.



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