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  • Foto do escritorHenrique Correia

A última Missa do padre Martins na "terra libertada"


Ribeira Seca despede-se do seu "pastor" eterno. A 12 de janeiro entra outro pároco.




Quem não o conhece? Quem não sabe, pelo menos alguma referência de testemunhos dos mais antigos, a vida do padre Martins na conhecida "terra libertada" da Ribeira Seca. Comunista, revolucionário, de tudo chamaram ao padre, por entre excessos da época em que se falava da liberdade que por vezes se confrontava com libertinagem. Para a Ribeira Seca, o padre Martins foi um Deus. Para o mundo lá fora, era o homem que e enfrentava o poder quando a Igreja era uma instituição próxima do poder.

Não foi preciso esperar muito até que o padre Martins fez uma incursão pela política, uma confrontação desde a esquerda com o regime de Jardim. A suspensão do padre das suas funções de pastor da Igreja e daquele "rebanho" na altura considerado "tresmalhado", porque contra a corrente das massas, não foi suficiente para travar a paixão dos paroquianos pelo padre Martins. Paixão que é eterna, apesar deste domingo, 5 de janeiro, ter acontecido a última missa do padre Martins enquanto pároco da Ribeira Seca, que a 12 de janeiro recebe um novo padre.

Nunca houve, no seio da Igreja Madeirense e em contexto com a ligação à política, a percepção real de que estavam a criar uma espécie de lutador das liberdades amordaçado pelo poder. Era assim que o padre Martins era visto, por responsabilidade direta de uma criança poder político/poder religioso.

E foi o bom senso deste Bispo D. Nuno Brás que desbloqueou o bloqueio dos bispos anteriores, que numa redoma própria de alguns círculos, deixava em "banho maria" para quem viesse a seguir fechasse a porta, fechasse o caso.

Pois bem, em 2019, a Diocese do Funchal anunciava que o bispo do Funchal Nuno Brás tinha revogado a suspensão do padre Martins Júnior, que tinha sido decretada em 27 Julho de 1977 pelo bispo Francisco Santana.

“Tendo em consideração que, passados estes anos as razões primeiras que levaram à aplicação e manutenção dessa pena deixaram de existir, o Bispo do Funchal, depois de ouvido o reverendo Padre Martins Júnior e os Conselhos Episcopal e dos Consultores, decidiu revogar a referida pena de suspensão”, referia o comunicado.

O padre Martins Júnior ficava desde então nomeado administrador paroquial da Ribeira Seca. Anunciava-se, de seguida, que o Bispo do Funchal ia visitar a paróquia da Ribeira Seca no dia 14 de Julho.

Hoje, 5 de Janeiro de 2023, o padre despediu-se dos paroquianos. Fica a eterna ligação à "terra libertada" e uma memória com tudo lá dentro. O bom e o mau convivem na feitura da História.

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