Buscar
  • Henrique Correia

A Assembleia Regional não pode "estar por tudo"


É preciso que o Parlamento trave alguns excessos que resultam precisamente desta "onda" de acontecimentos.


Foto Facebook Carlos Rodrigues.


Não está em causa o programa "Somos Portugal", da TVI, que pela primeira vez veio à Madeira e lá terá os seus méritos que à conta das audiências levam as televisões ao mesmo formato. Não tem nada que saber. Quem gosta, gosta, quem não gosta não estraga. O que tem a ver, mesmo, é a montagem do palco num espaço nobre à volta da Assembleia Regional, espaço que hoje "acordou" com o aspeto que a imagem, oportuna, publicada pelo deputado social democrata Carlos Rodrigues transmite com uma observação, também de grande pertinência: "Não há promoção que valha este dia seguinte. É pena e é triste que isto se passe neste sitio". E tem toda a razão, toda mesmo.

Em primeiro lugar, até somos favoráveis a uma Assembleia virada para o exterior, aberta à sociedade civil, com iniciativas que transportem, para as pessoas, uma imagem de Parlamento aberto, contrariando aquela parte mais hermética de discussões políticas e elaboração de leis. Portanto, em relação ao que José Manuel Rodrigues veio trazer ao Parlamento, de bom, de visível, estamos conversados, apoio (quase) total, o que até deixa os seus antecessores, pessoas respeitáveis, com algum "amargo de boca" pela inércia relativamente à afirmação do principal órgão da Autonomia numa época em que o poder Executivo tinha o poder todo.

Mas a verdade é que, apesar dos aspetos positivos, José Manuel Rodrigues, como se sabe do CDS, presidente da ALRAM por via da negociação governamental para a coligação, debe tomar algumas precauções para manter o Parlamento fora da banalidade, por muito popular que pretenda ser e por muitas áreas que pretenda abranger, compreendendo que está numa corrida de popularidade "contra o tempo", em função das eleições regionais de 2023.

Dia sem iniciativa não é dia é bom para a Assembleia, parece aquela frase promocional do Diário, dia sem Diário não é dia, dos tempos em que aquele jornal até vendia bem, mas é preciso que o Parlamento trave alguns excessos que resultam precisamente desta "onda" de acontecimentos, que um dia destes pode resultar na venda de pipocas à porta da Assembleia em dia de plenário.

Os espaços da Assembleia devem ser mantidos numa reserva de ocupação, circunscrita a dias assinalados e a acontecimentos que se enquadrem num determinado perfil, com o devido respeito para todas as outras iniciativas desenquadradas para aquela área. Como o "Somos Portugal", que tem enquadramento em muitos outros sítios.

A Assembleia deve ter essa preocupação. Deve. E talvez comece a não ter, o que é preocupante se enveredar por uma vertente dos "telhões do meu amor", uma música da Rosinha, que também subiu ao "palco do Parlamento". Só para não haver dúvidas, telhões, como se sabe, são telhas grandes, também alguma telha partida.


85 visualizações