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  • Henrique Correia

"A burocracia tem a mecânica da corrupção: tornar difícil o que é fácil debaixo da mesa"


Maria José Morgado sem "papas na língua" aponta os fatores de risco para a sociedade portuguesa: contratação pública, também nas Autarquias, na aquisição de bens e serviços; as ligações subterrâneas entre a política, o futebol e a construção civil




Maria José Morgado, a completar 70 anos em junho, foi das figuras mais marcantes de uma época da Justiça Portuguesa. Foi entrevistada pela RTP, num programa de Fátima Campos Ferreira, e deixou bem claro tudo aqui que o cidadão comum sente, todos os dias. Interessante quando diz que nunca recebeu telefonemas de políticos, mas mais interessante quando tem uma explicação: talvez achassem que não sou muito conversável.

Dirigiu o Centro de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Fiscal, em 2006 foi nomeada Procuradora-Geral Adjunta do Tribunal da Relação de Lisboa. Nunca chegou a Procuradora-geral da República e, também aqui, explica: "Não tenho o perfil que os políticos, em Portugal, gostam para um Procurador-geral da República".

Mas dos conteúdos da entrevista, retira-se o que toda a gente pensa e poucos dizem. Maria José Morgado foca os fatores de risco para a sociedade portuguesa, que motivam preocupação: a contratação pública, também nas Autarquias, na aquisição de bens e serviços; as ligações subterrâneas entre a política, o futebol e a construção civil, o branqueamento, os fundos comunitários, o financiamento das campanhas". Isto tudo, metido no mesmo saco dos problemas de transparência em Portugal.

E faz outra declaração completamente desassombrada: " A burocracia tem a mecânica da corrupção: tornar difícil aquilo que, por debaixo da mesa, torna-se fácil mediante contrapartidas, colocar o processo por cima, fazer batota".

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