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  • Henrique Correia

A culpa é da "outra"


Pedro Calado: "Cerca de 3 milhões de euros que a Autoridade Tributária não devolverá aos munícipes, com domicílio fiscal, no concelho por culpa da anterior vereação".




O presidente da Câmara do Funchal ganhou as eleições pela Coligação PSD/CDS e não tem poupado a anterior vereação por todos os problemas que vai encontrando pelo caminho. A ciclovia será parcialmente desmanchada e para isso vão 150 mil euros, não para devolver o espaço à circulação normal para fluir melhor o trânsito, mas para viaturas de emergência. São opções, se for outro a ganhar daqui a três anos lá temos mais uns euros para mudar de carros de emergência para circulação só de carros azuis.

Mas também há a ETAR. A culpa é da outra, entenda-se outra como a anterior vereação. À volta de 7 ou 8 milhões a mais e um empréstimo para justificar agravando as contas da Câmara. Há ainda a candidatura a capital europeia 2027, uma candidatura mal feita segundo Pedro Calado, que colocou nos jornais a argumentação com as anomalias do processo. E diga-se, a este propósito, que Alberto João Jardim, convidado por Miguel Gouveia para uma comissão consultiva para a capital da Cultura. Jardim reforça o que disse Calado:

"Eleições perto, Presidente da Câmara Funchal convidou-me para integrar a “comissão consultiva” para “capital da cultura”, com raiva pública do Pereirinha.

Aceitei como SERVIÇO, sem partidopatologias.

Nunca fui “consultado”por essa Câmara já defunta!...Apurei,sim,tratar-se de proposta medíocre".

Está visto que, segundo a coligação PSD/CDS, em toda a linha, a culpa de todos os males é da vereação de Miguel Gouveia, o que já parece por vezes alguma semelhança do que acontece no País com a culpa a ser de Passos Coelho, se bem que este de má memória para os portugueses a pretexto de endireitar as contas asfixiando as pessoas, não todas, como sempre a classe média apanhou pela medida grande e ressente-se ainda hoje.

Certamente que Pedro Calado não vai fazer o mesmo, não vai passar o mandato todo a culpar a anterior vereação. Agora também nas contas e na devolução do IRS aos funchalenses. Que não vai acontecer. E porquê? Calado explica isso num espaço que lhe é disponibilizado no Diário:

"Abril não foi marcado apenas pelas “heranças e testemunhos” da Revolução dos Cravos. Outras heranças há, certamente, menos quiméricas e efusivas.

Primeiro, a “magia negra” das contas que herdamos da anterior vereação. O que estava estimado para ser apresentado, no final de 2021, andava à volta de 8 milhões de euros, a correção que foi feita agora, foi um valor muito superior a esse. As contas apresentam actualmente um valor negativo de 41 milões de euros de prejuízo, em que não estavam contabilizadas faturas no montante de 27 milhões de euros referente à ARM, mais 1,5 milhões de euros de Taxa de Recursos Hídricos e custas judiciais no valor de 480 mil euros.

Depois, outra desagradável surpresa e, novamente, a afectar todos os munícipes: os funchalenses não receberão, este ano, devoluções fiscais no IRS, no que se refere à participação da CMF no IRS. São cerca de 3 milhões de euros que a Autoridade Tributária não devolverá aos munícipes, com domicílio fiscal, no concelho por culpa da anterior vereação".

Esta realidade acontece em todas as passagens de testemunho entre forças políticas diferentes e naturalmente com diferentes ideias para o País e para as cidades. É natural. O que é importante, penso eu, é governar bem porque esse pedido foi expresso em votos, respeitar a decisão do eleitorado e o que está feito, mesmo o que está menos bem. Faz parte das lideranças, não fazem tudo bem, não fazem tudo mal. E, no caso, a gestão de Pedro Calado já fez algumas coisas boas. Se trabalhar bem, não precisa de ir todos os dias ao passado.

Para evitar que um dia destes alguém lhe dê na cabeça de deitar abaixo o Gonçalves Zarco. Foi feito por uma "outra" qualquer.


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