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  • Henrique Correia

A culpa é (também) das pessoas


Chegou o momento de não excluir responsáveis. A culpa é (também) das pessoas. Se vamos estar juntos nisto, ou vamos todos ou não vai dar...



Não vou pelo politicamente correto de achar que os governos fazem tudo mal e que as medidas deveriam, sempre, ser de uma outra forma e sempre mais cedo do que são. Não fazem tudo bem, claro que não, mas não vou por essa via mais fácil, sempre mais fácil e mais popular para quem está do lado de fora. Os governos, de lá e de cá, têm assumido decisões corretas e outras por "apalpação" do que vai acontecendo, talvez o Regional, por ter começado bem, tenha conseguido um melhor equilíbrio, porque o contexto é outro, entre a decisão e a oportunidade.

Não entro por aí, aceito quem entre, sobretudo entendo as razões da dialética político partidária, por ser assim mesmo, não sou político, e estou agradecido todos os dias por não ser, por isso não faço avaliações contando "espingardas".

Os governos assumiram decisões tardias, algumas, é verdade, nem sempre dá exemplo, e deve dar, mas as pessoas, o cidadão comum, tem muita culpa na forma como está a evoluir a pandemia. As pessoas, muitas mesmo, têm culpa do que está a acontecer, do aumento de casos, dos contágios, pela forma irresponsável em diferentes procedimentos do dia a dia, por terem relativizado o vírus, como há dias dizia um infecciologista, anda toda a gente a pensar que só acontece aos outros. Até acontecer a si próprio ou a pessoa próxima. E chegou o momento de dizer basta de irresponsabilidade, basta do governo junto no mercado porque deu um mau exemplo, é verdade, mas basta de fazer festas de incumprimentos claros, de querer ganhar dinheiro com as ponchas na neve e passar na impunidade, porque só os outros é que devem cumprir, beneficiando, é verdade, da passividade das fiscalizações e das polícias, que deveriam ter cortado os acessos. Basta de desculpar alguma juventude irresponsável, uma palavra que é diferente de irreverência, outro conceito mais nobre. A irreverência passa e faz crescer, a irresponsabilidade fica e é sempre a descer. E o que dá esperança é que a maior parte não é assim. Valha-nos isso.

Mas o que não podemos fazer, nunca, é desculpabilizar o que não é desculpável.

Basta de mandarmos as responsabilidades para cima dos outros, de acharmos que, por exemplo, o primeiro-ministro, esteve mal quando disse, hoje, que como as pessoas não cumpriram, foi necessário confinar. É verdade, as pessoas não cumpriram. Podemos até dizer que este confinamento podia ter sido no Natal, até pode ser que sim. Podemos dizer que a mensagem desconfinada, na quadra natalícia, deu uma falsa "folga". Mas as pessoas não cumpriram, não vamos "tapar o sol com a peneira". E é bom dobrar as multas, é bom também funcionar a fiscalização e multar, não é fazer de conta e não dar em nada.

Na Madeira, também. Quando Miguel Albuquerque diz que vai ser tudo posto na ordem, tem razão, mas também é bom que se veja qualquer coisa que se veja. Porque daí para cá, o que já se passou...

Chegou o momento de não excluir responsáveis. A culpa é (também) das pessoas. Se vamos estar juntos nisto, ou vamos todos ou não vai dar...


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