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  • Henrique Correia

A força da Pontinha contra a "pontinha" de força


Aquela mobilização da máquina do PSD obedeceu a uma preparação, a uma estratégia, mas sobretudo a uma visível vontade de união conjuntural de tendências, como se houvesse um entendimento tácito de fazer tréguas neste momento.




O PS Madeira não parece estar mobilizado, na dimensão que o momento exigia, à volta da candidatura de Miguel Gouveia à Câmara do Funchal. Talvez pelo facto do candidato assumir a independência, embora com o apoio oficial do PS-M, numa perspectiva de ir buscar votos a outras "latitudes" político partidárias ou até na chamada sociedade civil, procurando de certo modo não ficar colado, em demasia, aos socialistas, talvez por tudo isto, esta mobilização não esteja a funcionar como seria desejável. Talvez, também, pelo facto do PS estar confrontado com alguma crise de transição.

O candidato é forte, mas tem faltado, na medida do recomendado, a força da máquina do maior partido da oposição, mesmo com um certo afrouxar de mobilização que aquele "morrer na praia" trouxe nas últimas eleições regionais, com reflexos inevitáveis numa estratégia de manter o sentido mobilizador na oposição, que não é o mesmo de quem está ou tem a estrutura governativa.

Contra esta "pontinha" de força, tivemos, sábado, uma força na Pontinha, a apresentação, à americana, da equipa do PSD/CDS, com um candidato retirado ao Governo para fazer uma coisa que se for para de poupança, nunca se deve fazer: colocar os ovos no mesmo cesto. Mas ali nao é para poupar, é mesmo tudo ali, a Câmara do Funchal é como ganhar o Governo, não interessa o resto.

Claro que aquela mobilização da máquina do PSD obedeceu a uma preparação, a uma estratégia, mas sobretudo a uma visível vontade de união conjuntural de tendências, como se houvesse um entendimento tácito de fazer tréguas neste momento. Com um dado importante: Calado tem "adeptos" nas diferentes tendências do partido, o que é importante neste contexto de tentativa de recuperação do poder local. No fundo, o que se viu, na Pontinha, foi o que não se via há muito tempo no PSD, uma mobilização grande, que até pode não ser uma grande mobilização que corresponda a qualquer indicador de estabilidade interna, ou pacificação sobre um passado de tentativa renovação, que dividiu o partido entre os os renovados, novos e bons contra os jardinismo, velhos e maus. Na Pontinha, estavam todos, mesmo com uma coexistência pacífica de guerra fria, por um valor superior que é a eleição de Calado. Inteligente a estratégia, sem dúvida.

Claro que, depois, aquele arraial, aquelas entradas à maneira da apresentação de jogadores, acabou por influenciar alguns excessos de linguagem, de Jardim, obviamente, com a "corda toda" de ser, ainda, uma "bandeira" em momentos de eleição que, para o bem e para o mal, foram jardinistas eleitos, tantas vezes, com Jardim a falar sozinho nos palcos. Mas exageros de linguagem, na Pontinha, também de Calado, que apesar de umas "tiradas" conhecidas sobre os madeirenses "vadios" que não querem servir à mesa por 500 euros, tem normalmente uma postura que controla estas emoções fortes destes momentos mobilizadores. Compreende-se no calor da pré campanha e no momento partidário de esvoaçar de bandeiras e chapéus, levados para um objetivo claro e sem poupar em meios: a eleição de Calado.

Vamos ver o que nos reserva setembro nesta bipolarização mais do que certa para o Funchal. Miguel Gouveia e Pedro Calado são candidatos fortes. Mas sabemos que, às vezes, só isso não chega.




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