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  • Henrique Correia

"A gentinha do Passos queria à força que eu saísse para pôr lá o Miguel Albuquerque"


"Isto não é nada contra o Miguel Albuquerque, que tem toda a legitimidade e damo-nos bem", diz Jardim, hoje, no Tal&Qual.



"O PSD é o quarto filho e ninguém gosta de ver um filho em maus lençóis".


Alberto João Jardim diz que o PSD Madeira está unido, pelo menos acha que sim. Foi na entrevista ao Tal & Qual, hoje, que voltou a falar de Passos Coelho, de uma transição interna que o fez sair para entrar Albuquerque. Conta tudo, tanto e de tal forma que a unidade que fala parece assim, assim, mais por causa das eleições autárquicas. Quem o lê, quem o ouve, vê a unidade adquirida à distância. Veja-se a descrição de uma resposta sobre a queda no Funchal e a subida de Cafôfo ao trono da principal Autarquia, que era PSD:

"O PS-M ganhou a Câmara do Funchal sem esperar. Aquela gentinha do Passos Coelho queria à força que eu saísse da Direção do partido para pôr o Miguel Albuquerque e o grupo dele. Isto não é nada contra o Miguel Albuquerque, que tem toda a legitimidade e damo-nos bem".

E continua: "Houve uma estratégia tonta em 2013, dentro do PSD, de mandar votar, em cada concelho, no partido que estaria em melhores condições para derrotar o PSD. Moral da história desta tontice: perderam uma série de câmaras que ainda hoje não recuperaram".

Esta posição de Jardim, ao mesmo tempo que fala em unidade, passa para outro patamar, de novo a demonstrar que, afinal, para Jardim, dentro está mais difícil do que fora: "Sinto mais cordialidade de gente fora do PSD do que de dentro". Tem uma explicação: a escolha para os seus governos não obedeciam ao cartão partidário, o que cria anticorpos. Mas foi assim, diz, que teve 10 maiorias absolutas. "O Passos Coelho viu que havia ali lenha para ne pôr a assar em lume brando".

Sobre Passos Coelho, diz que foi o único primeiro-ministro que lhe deu problemas. "É um homem do politicamente correto".

Jardim fala da atual conjuntura, das eleições autárquicas, da sua participação na campanha, como aconteceu recentemente ao lado do candidato a São Martinho, a sua nova área de residência, mudou-se da Rua Pedro José de Ornelas. Mas diz que quando vai apoiar, nunca é por este ou aquele candidato: "É pela Madeira, pelo PSD. Tenho três filhos, o PSD é o quarto filho e ninguém gosta de ver um filho em maus lençóis".

Estas declarações de Jardim significam que o antigo presidente do partido está a admitir que o PSD de Miguel Albuquerque está em maus lençóis? Pode ser, pode não ser.




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