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  • Henrique Correia

A ilha das "sensações"...


Assim, sempre fico mais descansado. Tenho a sensação que está difícil, é verdade. Mas como não é real...



Já tinha vindo à ideia abordar esta temática sensorial do povo, mas não houve oportunidade nem inspiração suficiente para o efeito. Fez-se como que uma "luz" quando o presidente do Governo Regional afirmou, numa cerimónia pública de entrega de material à PSP, que a insegurança que se viveu e vive, sobretudo no Funchal, que por acaso tem andado melhor porque há um maior policiamento de visibilidade, não era nem é real, era e é apenas uma sensação das pessoas. Do género, parece que há insegurança, mas não há. Uma espécie de ilha de sensações que a promoção da Madeira até devia aproveitar de tão boa esta "dica" para chamar e não afastar gente.

Claro que Miguel Albuquerque, ao contrário de Pedro Calado, pode orientar o discurso de sensações e percebe-se a intenção, em primeiro lugar para dar uma mensagem para o exterior, de segurança da Madeira, do Funchal em particular, mas também para transmitir confiança na PSP perante uma plateia de polícias e num contexto de colaboração institucional que garante à PSP um retorno de 30%, em material, do valor das multas cobradas na Região e cujo produto vai para aquela corporação. Não é verdade, por isso, que a PSP receba 0 euros do total das multas. Não recebe diretamente, mas recebe em equipamento por via de um protocolo. Zero euros recebe a GNR, que passa multas e não tem protocolo, logo não tem retorno.

Mas voltamos às sensações do "nosso" presidente, que vendo bem pode ter alguma razão para ver laranja o que se vê negro face às dificuldades que se avizinham.

De facto, para sermos verdadeiros e não alarmistas, em ano de eleições regionais convém ter isto presente, temos a sensação que os madeirenses não têm qualquer hipótese de comprar casa no núcleo central da capital, mas também agora numa periferia alargada, temos inclusive a sensação que essa dificuldade já chega a parte do Caniço e até a Câmara de Lobos. É verdade que estão em curso habitações a custos controlados para habitar fora dessa zona alargada de luxo, mas só mais tarde ficaremos a saber os critérios e a forma como vão funcionar esses núcleos populacionais, com jovens casais e famílias carenciadas. Os outros, carenciados na mesma, a chamada carência envergonhada mas sem apoios por não corresponder aos parâmetros de candidatura, vão ficar à espera com a sensação que, um dia, chegará a sua vez. Pode ser que isto melhore.

E já agora que estamos em desabafos sobre sensações, ficamos com a sensação que as prestações da casa aumentaram de forma brutal, que os preços, de produtos e serviços, subiram de modo substancial e parece que ficamos com a sensação que a classe média está mais pobre e que os níveis de dificuldade das famílias aumentaram. É verdade que aquelas estatísticas sobre a Madeira ser uma Região pobre, tem a ver com os parâmetros de avaliação, como diz o presidente do Governo Regional, e não com a realidade. É só por sermos Ultraperiféricos e porque os idosos que não descontaram recebem pensões baixas e prejudicam as estatísticas. Estamos entendidos sobre estas explicações e estas sensações.

Assim, sempre fico mais descansado. Tenho a sensação que está difícil, é verdade. Mas como não é real...

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