Buscar
  • Henrique Correia

A missão "hercúlea" de Paulo Cafôfo

Depois de um "sprint" falhado nas "Regionais" caiu-lhe a pandemia em cima dos objetivos


Paulo Cafôfo vai para o congresso do PS-Madeira, este fim-de-semana, com uma tarefa "hercúlea" pela frente. Não quer continuar com os seus objetivos situados no quase, esse quase é pouco para o que projetou. Quer vencer. Vencer dentro já venceu, agora falta-lhe vencer fora, como fez para a Câmara do Funchal. Outro tempo, outro contexto. Não tem comparação. Tem tempo, mas a comparação é mais complexa. Antes disso, tem as Autárquicas, em 2021.

Cafôfo ficou sem fôlego depois daquele "sprint" que fez nas últimas eleições legislativas regionais, perdendo para Miguel Albuquerque mesmo em cima da meta. Esteve quase, conseguiu trazer alguma mais valia da popularidade ganha na liderança do Município do Funchal, beneficiou de uma conjuntura de voto útil de penalização do PSD, além da concentração de votos provenientes da esquerda, que acabou por não ser suficiente para garantir a vitória. E com outro reflexo negativo político na Região, além do objetivo pessoal, o de ter falhado a vitória: a perda de votos dos pequenos partidos e uma representação parlamentar menos diversificada. Mas foi o que foi e pronto.

Acontece que esse foi um contexto que entretanto deixou de ter condições para repetir num futuro ato eleitoral. Será difícil, em qualquer outro momento, conjugar todos aqueles factores que estiveram presentes nas últimas regionais. Não pode contar só com o eleitorado do PS, e mesmo nesse até pode não contar com alguns. Mal refeito desse "sprint", não lhe pedissem para correr mais 100 metros, não era possível nem mais três, houve necessidade de um retomar de forças, de ver como decorria o palco parlamentar, que podia ter corrido melhor, além de que constitui um desgaste e de certa forma um passar de tempo sem aquele palco ideal. Ainda estava a pensar no "sprint" e caiu-lhe a pandemia em cima, abate qualquer um que estivesse na oposição. Ficou sem margem na estratégia de combate político que qualquer oposição deve fazer a quem governa.

Foi neste enquadramento deveras complexo que Paulo Cafôfo passou a gerir a sua estratégia. Combater estava fora de questão, pelo menos combater naquele estilo que conhecemos, mais incisivo e musculado, o eleitorado não entendia. Como ainda não entende. A situação recomendava uma atitude responsável, de colaboração com quem governa, de conjugação de esforços, de maior aproximação política do que propriamente de mais crítica política. O espaço de manobra foi curto, acima dos partidos a Madeira. E ainda por cima, face à pandemia, desde o início, o Governo Regional trabalhou bem na maior parte dos casos, o que não favoreceu a oposição na criação daquela onda necessária para traçar um rumo de vitória.

O Governo ganhou espaço e dimensão, a oposição pode não ter perdido, mas se não saiu do lugar onde estava, o que é dificil ainda de prever, já é bom. É mau para quem quer vencer, mas é bom porque podia ter sido bem pior. Cafôfo perdeu terreno, a sua área de influência estava, também ela, empenhada no sucesso do Governo na Saúde e na segurança sanitária. Uma questão maior estava em cima da mesa. E ali promete continuar nos próximos tempos. Cafôfo tem uma grande trabalheira pela frente, além daquela que já terá, certamente, no interior do próprio partido, onde esta entrada de novas "caras" pode ter deixado algumas consequências, de dimensão ainda não totalmente apurada. Vamos ver.

A vitória foi o menos. O Congresso é o menos. Ganhar eleições será um grande desafio neste contexto pandémico onde só um governo muito "aselha" perde o que tem. Mas isso Cafôfo, melhor do que ninguém, já sabe. Veremos, primeiro, como vai decorrer o Poder Local, em 2021.


5 visualizações