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  • Henrique Correia

A prevenção foi boa mas é preciso escrutinar os apoios


É preciso que todos os apoios sejam escrutinados, sobretudo para evitar a tentação de fazer do ajuste direto uma regra e não uma exceção, a coberto de uma urgência pandémica que dispensa burocracias e que se encaixa em tudo o que é decisão




Podemos dizer que, tirando um ou outro caso em que a falta de articulação foi notória, na globalidade, o Governo teve nota positiva, tanto nas medidas de prevenção, desde início da pandemia, até ao processo de vacinação e respetivas prioridades. O seu a seu dono para sermos rigorosos e verdadeiros na análise. E a vacinação do setor ligado ao Turismo, numa altura em que se vislumbra a retoma, também faz todo o sentido. Por aqui, nada a dizer.

Mas a verdade é que o maior problema, além do sanitário, ainda está para vir, o problema das dificuldades economico financeiras das famílias e das empresas, sobretudo aquelas que foram mais afetadas pela pandemia, como as ligadas ao turismo, à restauração e animação noturna, bem como a organização de eventos, um verdadeiro descalabro que já levou muitos à falência e ao desemprego. E se não levou mais, foi porque os apoios ainda prevalecem, como moratórias, layoff, entre outros, mas é um "empurrar com a barriga", uma questão de tempo para que, um dia, vejamos as reais consequências da crise. Como se dizia há dias, as empresas ligadas ao turismo não vão começar logo a recuperar, vão levar meses, anos mesmo, até uma recuperação, até porque as despesas vão entrar logo nas as receitas não, levam mais tempo. E esse será um problemas grave, mas do qual não há forma de fugir se não houver um prolongar alargado de apoios, se os governos conseguirem aguentar este ritmo de ajudas.

Concordo que as moratórias devem ser prolongadas, mas também é verdade que um dia vão acabar e não sabemos se, nessa altura, as empresas e famílias estarão em melhor situação. É importante que estas ajudas ajudem, realmente, a recuperar, não sendo apenas um adiar da "queda" e um defraudar de expetativas.

Mas no meio disto tudo, também é preciso que as ajudas cheguem, não por linhas de crédito que representam mais endividamento, mas por verbas que, devidamente enquadradas, encaminhem empresas e famílias para a recuperação.

Mas é preciso outra coisa, é preciso que todos os apoios sejam escrutinados, sobretudo para evitar a tentação de fazer do ajuste direto uma regra e não uma exceção, a coberto de uma urgência pandémica que dispensa burocracias e que se encaixa em tudo o que é decisão nos últimos tempos. Mesmo as não urgentes e que são "metidas" no mesmo pacote.

Não podemos sair de uma pandemia para entrar noutra...


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