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  • Henrique Correia

A reconciliação do "Fiat 600" com o "Ferrari"



Cunha e Silva sobre Albuquerque: “Fez um discurso aberto, moderno, mobilizador e competente que nos inspira e garante-nos absoluta confiança e fundada esperança no futuro”.



Onde pára Cunha e Silva, o vice presidente do Governo de Jardim, promissor político, então com um futuro à frente que de tanta promessa ninguém diria que iria sair de cena tão cedo? É verdade que ser vice de Jardim quando o PSD-M se preparava para "empacotar" o jardinismo, não era um bom cartão de visita, também não ajudou nada ser vencido pela popularidade que Miguel Albuquerque teve como trunfo para ganhar o PSD e depois o Governo. E por isso, "desapareceu do mapa" político regional e hoje, provavelmente, já nem se fala em "travessia" no deserto por estar longo o caminho. E nem a aposta em Rui Rio ajudou, este Rio também "desaguou" na porta de saída sem glória.

Antes da abordagem deste congresso regional do passado fim de semana e das declarações de Cunha e Silva para a preenchida plateia, e já agora, quem não se lembra do congresso social democrata de 1999? Muitos não se recordarão, mas Cunha e Silva já andava em "marcação cerrada" com Miguel Albuquerque tendo por objeto a sucessão dentro do PSD Madeira. A preparação do Estatuto Político Administrativo da Região, aprovado por unanimidade na Assembleia da República, garantia-lhe, em sua opinião, uma mais valia capaz de lhe dar confiança para pedir mais a Jardim. Ficou célebre a alusão a que uns têm um ferrari, outros um Fiat 600 foi de tal ordem que acabou por criar, desde então, alguma tensão com Albuquerque, que ganhou pelo lado onde Cunha e Silva era menos forte, a popularidade. A que era controlada, internamente, e a que não era, externamente. Obviamente, Albuquerque saiu a ganhar.

Mas depois de tantos anos, parece que Cunha e Silva quer arrumar o passado. No congresso deste ano, foi um "hino" à unidade, a Albuquerque. Sem Ferraris e sem Fiat 600, a corrida hoje é outra e com outros protagonistas para o futuro. No presente, Cunha e Silva disse, por exemplo,

que "todos os Militantes estão cientes da importância do Partido se manter unido e “a puxar para o mesmo lado”, em tempos que serão decisivos. Que cada um de nós saiba ter a humildade de jogar para trás das costas as eventuais coisas que nos possam dividir para abraçarmos as mais importantes e que nos devem unir, a Madeira e os Madeirenses”; nada nem ninguém nos impedirá de lutar para vencer, pela nossa terra e pela nossa gente, precisamente porque somos um partido do povo destinado a servir o povo e assim continuaremos, empenhados e determinados no cumprimento dessa difícil mas compensadora missão”.

“Sai daqui um Partido pronto para a luta que travaremos democraticamente contra os nossos adversários, em unidade, dispensando, em período de desafios tão importantes como aqueles que temos pela frente, a acomodação, a falta de humildade e as indisponibilidades convenientes” afirmou o Presidente da Mesa, João Cunha e Silva, a quem coube, na sessão de encerramento do 18º Congresso Regional do PSD/Madeira, a última intervenção.

E veio um elogio, uma "reconciliação com o Ferrari": “Fez um discurso aberto, moderno, mobilizador e competente que nos inspira e garante-nos absoluta confiança e fundada esperança no futuro”.

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