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A relação de "amor/ódio" do PSD-M com Montenegro

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 21 de mai.
  • 3 min de leitura


Os deputados do PSD-M: uma hora votam contra, outra hora são silenciados e mandados silenciar, ou são "convocados" para uma chamada "comissão de serviço", que desta vez coube a Vânia Jesus ao ser mandatária.




O Governo de Luís Montenegro não tem tratado bem a Madeira. Não tem tratado bem o PSD Madeira, tem uma visão obtusa da Autonomia, e sobretudo não tem estabelecido "pontes", aqui com culpas partilhadas com o Governo Regional e com o PSD-M, para que os assuntos de maior peso possam ser abordados com alguma harmonia e articulação, mas sobretudo para que a Região não seja humilhada, como recentemente foi, no debate sobre a Mobilidade Aérea, em que os deputados madeirenses na República foram publicamente silenciados e com declaração de voto ostensiva do líder parlamentar Hugo Soares.

As pessoas, os partidos, as lideranças, as instituições e as Regiões, devem respeitar a boa coexistência, mas devem também dar-se ao respeito, sem subserviências que remetem para um certo passado e que resultam de uma postura titubeante, tantas vezes desarticulada entre o que se diz e o que se faz.

O PSD-Madeira foi desautorizado, foi "posto na ordem", como se se tratasse de uma birra regional a precisar de intervenção tutelar de um oeganismo central. Foi feio, foi mau, foi uma atitude que não pode ser apagada apenas com palavras, mas sim com atitudes que na prática possam dar expressão ao valor da Autonomia no âmbito da unidade nacional, muito diferente de uma obediência cega e de um medo, difícil de disfarçar, para enfrentar esses avanços de um qualquer protetor do Estado face às "diabruras" das ilhas, como se estas não fossem Portugal e como a continuidade territorial fosse uma retórica para ficar bem na "fotografia".

Esta indicação da deputada Vânia Jesus para mandatária, na Região, da recandidatura de Montenegro à liderança do PSD, seria compreensível e normal em circunstâncias diferentes daqueles que hoje decorrem de uma relação tensa, publicamente tensa, dando a ideia clara que o PSD põe dispõe como muito bem entende, ao ponto de ter a estrutura regional a seus pés. Em Política, a negociação é uma "arma", a firmeza leva ao respeito, o medo leva ao declínio. E por muito que estejam em jogo, dossiers próximos, dependentes da República, é importante que tanto o Governo Regional como o PSD-M não tenham medo das posições. É pimportante que haja entendimentos, mas que os deputados da Madeira, eleitos pelo povo madeirense, não sejam um mero "joguete", do PSD nacional e do PSD Madeira. Uma hora votam contra, outra hora são silenciados e mandados silenciar, ou são "convocados" para uma chamada "comissão de serviço", que desta vez coube a Vânia Jesus. Percebe-se que a o PSD-M não quis agravar a relação, preferiu "panos quentes" em vez de tomar uma posição que marcaria a diferença. E para reparar estes equívocos e estes receios interesseiros, só se os militantes da Madeira votarem branco ou nulo. A Autonomia não se conquistou com "panos quentes".

O PSD Madeira deve respeitar as estruturas nacionais do partido e a respetiva liderança. Mas não deve ir além disso quando está em causa, não só a Madeira, mas também os deputados da Madeira, cuja relação com os governantes regionais também nem sempre é aquela suscetível de encaminhar para o bem comum. Um Governo deve estar articulado com os deputados, sem atitudes que possam retirar dimensão aos parlamentares, até porque é o Parlamento o órgão de importância vital.

Como já aqui referimos, em artigos anteriores, a Madeira e o PSD-M foram perdendo capacidade negocial na República. E talvez por isso, hoje, a situação registe episódios de um certo papel secundário da Região. Que retira negociação, que cria equívocos, que leva a decisões que não servem a Madeira. E que faz, pelo menos parecer, que a Madeira está de "cócoras".

E como diz o povo "quem muito se agacha..."]

 
 
 

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