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  • Henrique Correia

A segurança acima de tudo

Temos dois problemas, um social e outro de insegurança. Em algumas circunstâncias estão ligados. E não podemos ignorar isso

Para mim, que não sou político nem nunca fui filiado em qualquer partido e muito menos chamado a colar cartazes mesmo que fosse por proximidade a esses meios, por função "adjacente" - felizmente, isso, nunca fui obrigado a fazer - o importante é que se resolvam as coisas que mais preocupam as pessoas. É importante sentir que há trabalho feito. E nesse aspeto, independentemente das ideologias, o presidente da Câmara do Funchal esteve bem ao assumir, pelo menos, que o problema da segurança no Funchal existe, que não é o povo a ver mal e que, por isso, não vale a pena varrer para debaixo do tapete, uma atitude muito ao gosto dos políticos.

O que se passa no Funchal é preocupante há meses. O confinamento agravou, claro que sim, uma vez que a cidade ficou deserta e os focos de certos comportamentos alargaram o seu raio de ação. Alargaram e foram ficando. E em maior número, fruto dos problemas sociais que naturalmente se agravaram com a pandemia e que têm motivado várias intervenções, quer do Governo diretamente, quer de instituições de solidariedade que, um pouco pela Região, têm registos de aumento de ajuda a famílias, o que por certo irá ser ainda pior quando os apoios acabarem, o regime de "lay off" por exemplo.

Temos, portanto, dois problemas, um social e outro de insegurança. Em algumas circunstâncias estão ligados. E não podemos ignorar isso. O Governo fez um compasso de espera dentro daquele princípio, que fez escola, de não falar nos assuntos para não trazer a público problemas que podem comprometer a imagem da Região face ao turismo. 

Em algum momento, alguém poderia ter pensado que abordando os problemas, estaremos mais perto das soluções e damos a imagem de segurança para o exterior. É melhor o turista saber que a Madeira está em intervir num segmento decisivo, a segurança, do que dar a ideia que está tudo bem e o turista ser assaltado e agredido quando passeia pela cidade e vê o que vê. O que todos vemos. Os que querem ver, claro.

A polícia, não ponho em causa a capacidade do comandante, não tenho conhecimentos para isso, tem feito, no entanto, um papel um pouco estranho, de reação em vez de ação. Com declarações que encaminham mais para números registados do que propriamente para a realidade. Não me parece boa política. 

E obviamente que estes impasses governamentais e estas reservas policiais, muito ao estilo de um meio pequeno como a Madeira, apareceu Miguel Gouveia a dar um passo em frente e ganhou pontos perante a população. Tocou numa área sensível e esteve bem, há que dizê-lo sem complexos. Neste caso, foi assim. 

Tirando os argumentos politico partidários no sentido de que  CMF quer justificar a Polícia Municipal ou outros similares, fazem parte da dialética normal, mas que tolda algum pensamento objetivo, a posição do presidente da Câmara foi positiva e trouxe para solução aquilo que é real. O resto, só resta apoiar, mesmo que a um ano de eleições autárquicas não seja muito fácil. Mas é assim mesmo, o Governo Regional também beneficiou da sua estratégia face à pandemia, que em muitas situações liderou o País. Também não há que ter problemas para reconhecer isso.

Pelo superior interesse do todo que é a Madeira e da segurança dos seus habitantes e turistas.

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