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  • Henrique Correia

A vacina "ferida" na confiança



É importante falar sério à população, ser sério com a população. E era bom que isso começasse pelos organismos reguladores da Saúde




Não podemos compreender que o mundo científico, que as autoridades reguladoras do medicamento e que todos os especialistas do mundo, não tivessem sido suficientes para evitar este golpe na vacinação contra a Covid-19. Não dá para entender este crescendo de dúvidas sobre a AstraZeneca, mas pior do que isso, é difícil percebermos esta falta de articulação nas medidas, que deveriam falar a uma só voz. Para que as pessoas soubessem, de modo credível o que se estava a passar e porquê. Mas não, primeiro suspenderam, por poucos dias, enquanto uns achavam patético e outros consideravam preventivo, num mais vale prevenir do que remediar. Mas com cada país a fazer o que muito bem entendia, era a Europa no que tem da pior organização.

Agora, outra decisão, já ninguém acredita que devidamente fundamentada, sobre a vacinação da AstraZeneca apenas a pessoas com mais de 60 anos. E amanhã? Será que continua igual? Aumenta a idade? Reduz? Atrasa processo? E os que já levaram não andarão hoje com o "coração nas mãos? E os efeitos que isto tem na decisão sobre os indecisos? Que reflexos, a médio e longo prazo, sobre o programa de vacinação. Ainda vamos ver o que vem aí, mas não é preciso muito saber para saber que isto não é bom para a eficácia e para a confiança na vacinação.

É importante fazer crer à população para levar a sério o que é sério, para aceitar a vacina com responsabilidade. Mas também é importante falar sério à população, ser sério com a população. E era bom que isso começasse pelos organismos reguladores da Saúde. Para que a firmeza seja superior à hesitação. E a vacina tenha o que tem de mais importante: eficácia e confiança.

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