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  • Henrique Correia

A vida não pode parar, a Covid-19 agrava e os governos já não sabem o que fazer


Voltar a parar, agora, acabaria com aquilo que ainda não acabou. Por isso, os governos estão entre "a espada e a parede". E por isso, as decisões são o que são, as possíveis e muitas delas incoerentes. Não podem sair, mas podem sair para muita coisa. Não podem estar mais de cinco pessoas juntas, mas podem ir a espetáculos



Os governos já não sabem o que fazer com a pandemia a avançar ainda mais do que aconteceu quando houve o confinamento total, em março. Os números sobem, todos os dias, os indicadores provavelmente aconselhariam a confinar, de novo, mas já não é possível voltar a fazer o que foi feito da primeira vez  O País parou. A Região parou. Foi o que foi, estancou uma primeira vaga so ponto de vista da Saúde, o que é importante e prioritário, mas foi um descalabro para a economia, como se esperava numa situação destas.

Voltar a parar, agora, acabaria com aquilo que ainda não acabou. Por isso, os governos estão entre "a espada e a parede". E por isso, as decisões são o que são, as possíveis e muitas delas incoerentes. Como o confinamento em 121 concelhos do país, com o dever de recolhimento por parte das pessoas, mas podem ir trabalhar, podem ir para as escolas, podem ir a espetáculos, podem ir aos restaurantes até às 22.30 horas, com um limite de seis pessoas à mesa e outras medidas pela metade porque nem podemos ir nem podemos ficar.

Percebe-se o melindre de não fechar tudo. Mas ou há necessidade, devidamente fundamentada, de tomar medidas mais drásticas para evitar riscos maiores, e para isso há acontecimentos que não podem realizar-se, ou então não podemos avançar com medidas que são difíceis de explicar. Era ficar pela obrigação do uso da máscara, na via pública, como está regulamentado no continente e vai ficar regulamentado na Madeira, para a próxima semana, evitar o mais possível ajuntamentos, mas para todos, sem haver Formula Um, sem haver ondas da Nazaré. Não sendo possível parar o País, não vamos fingir que paramos, às vezes, umas horas, nuns casos, talvez sim, talvez não. É como se estivessemos num resultado de futebol de zero a zero.

Confinar 121 concelhos, admitir a adoção do estado de emergência, com reunião urgente já segunda-feira, por acaso dia de luto nacional, entre o primeiro-ministro e o Presidente da República, é porque a justificação se justifica do ponto de vista das recomendações das autoridades de saúde, é porque é grave e já todos entenderam que essa mensagem não é assimilada por todos da mesma forma. 

Como ponto de partida para este debate, por uma questão de princípio, é óbvio que uma pessoa de bom senso só pode dizer que não existem medidas a mais para defender a saúde, mesmo que elas, medidas, assim pareçam à primeira vista. Normalmente, quem acha que é  exagero esta preocupação é porque a Covid-19 ainda não lhe bateu à porta nem morreu alguém da família. Aí o caso mudará certamente de figura. E a partir de hoje, no País, a Madeira já não está com registos de zero mortes por Covid, uma vez que foi confirmada o primeiro óbito, uma mulher de 97 anos de idade. Estamos melhor, mas estamos no "furacão" global.

Os governos devem salvaguardar a defesa dos cuidados de saúde, todos, covid e não Covid. É um facto inequívoco, é uma exigência. E devem fazer tudo para isso, não interessa as medidas por excesso, o que interessa é mesmo a coerência das medidas e a eficácia. Se uma qualquer pessoa percebe pouco, da doença e da Saúde, deve confiar nos profissionais e não andar com palpites de alarmismo, confundindo alarme com informação que deve chegar às pessoas para que possam ficar esclarecidas, para reduzir a iliteracia em saúde que é também uma doença dos nossos dias. Ou mesmo iliteracia em informação, no geral.

Estamos quase no Natal. Os governos querem salvar o Natal. Queremos ter luzes na rua, e bem, pelo menos para lembrar, mas sem ajuntamentos. Queremos ter Missas do Parto, para lembrar, mas sem licor e festa. Queremos jantares de trabalho, de amigos, mas além de poder haver, na altura, limites de pessoas à mesa, como agora, há o medo. Queremos ter Noite de Natal, em família, para lembrar, mas com cuidado porque mesmo em família, de núcleos diferentes, pode haver problema. Queremos ter fogo de artifício, para lembrar, mas os ajuntamentos são desaconselhados, é ir a medo e não andar sossegado a ver o espectáculo.

Não sei se já repararam, mas este texto está mais ou menos como as decisões do Governo. Fica mesmo assim, é o estado de espírito geral. Isto afeta todos.

Falaram em salvar o quê?

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