Buscar
  • Henrique Correia

A violência do "assobio" para o lado



As pessoas falham, as instituições falham, o sistema não funciona, falha portanto. Falhamos todos. O que não falhou foi a morte.



A sociedade continua a "assobiar" para o lado relativamente à violência doméstica. Nem é uma questão geracional, oxalá fosse, havia mais esperança num novo enquadramento, de ver e de "atacar" este problema que para muitos é a normal vivência diária, de anos, de décadas. Umas vezes sobrevive-se, outras vezes morre-se. Parece uma fatalidade, é uma fatalidade deste sistema.

E de cada vez que se morre, não é como o sonho, o mundo não pula nem avança, retrocede um bocado cada dia, em alguns casos, para níveis primitivos que se tornam difíceis de avaliar.

Hoje é o funeral da mãe e do filho assassinados pelo pai, que depois se suicidou. Isto aconteceu na Madeira. Houve indignação, veio a Festa, mais indignação, vem o final do ano. E infelizmente, não vamos, ninguém vai, aprender nada com isto. O debate, triste debate, andará à volta do mesmo sentido: ela não devia ter levado o filho, não devia ter ido só, devia ter chamado alguém, se calhar provocou. E só depois, ele não deveria ter feito o que fez. Invariavelmente é assim, triste visão de um mundo dito evoluído e simultaneamente tão atrasado, em que uma geração mais avançada na idade acha bem o papel de "servir" da mulher, mas uma geração mais nova, de acordo com vários estudos, também não acha mal umas chapadas e os telemóveis controlados ou a decisão sobre que roupa vestir. Sem que com isto se pretenda ignorar a violência doméstica em que a vítima é o homem. Mas aí é pior,

Infelizmente, estas mortes são a face limite do problema. As pessoas falham, as instituições falham, o sistema não funciona, falha portanto. Falhamos todos.

O que não falhou foi a morte.


201 visualizações