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  • Henrique Correia

Abelhas eliminadas por ser impossível outra solução



É a resposta do Governo ao PAN que denunciou um episódio responsabilizando o Governo da morte de abelhas por envenenamento.




O Partido da Natureza e dos Animais veio a público denunciar um caso de "morte de abelhas na Madeira", referindo-se a um a ocorrência que obrigou à intervenção dos técnicos do Governo.

A secretaria regional da Agricultura esclareceu que no caso a que o PAN Madeira se vem referir, "o enxame de abelhas em causa apresentava-se numa localização em que a sua retirada, nas devidas condições de segurança para os elementos encarregues da operação, foi tecnicamente impossível, situação que obrigou à sua neutralização, situação excecional prevista no respetivo procedimento de atuação e realizada de acordo com as condições referidas no ponto IV. Felizmente, esta é uma situação muito pouco frequente sendo que, a título de exemplo, em 2021, das 57 intervenções solicitadas à brigada da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, no que respeita a enxames de abelhas, apenas 6 tiveram de ser neutralizadas por se encontrarem em locais inacessíveis e que, permanecendo no local, constituiriam uma ameaça à segurança e bem-estar da população envolvente".

A secretaria acrescenta que "pugna por respeitar integral e profundamente a vida e o bem-estar animal, reafirmando o papel inestimável da apicultura para a sustentabilidade da agricultura da RAM, como fator de polinização das culturas mas, simultaneamente, e pelas produções que proporciona, uma atividade económica a considerar, tanto mais atentas as especificidades da flora local, em particular daquela que lhe é endémica" e "repudia veementemente o aproveitamento e a radicalização mal informada sobre esta situação feita pelo PAN Madeira, deturpando a realidade e não contribuindo para o esclarecimento e reconhecimento da população para a harmonização do fundamental papel das abelhas com o também do fundamental papel da atividade humana, quer a mesma se desenrole em meio urbano ou rural".

O Governo lembra que "muitas espécies de insetos podem provocar reações alérgicas, geralmente locais, contudo, uma picada de abelha ou vespa pode ser fatal (anafilaxia). O veneno de abelha (Apis mellifera), também designado por apitoxina, é constituído pelos seguintes alergénios: fosfolipase A2, hialuronidase, melitina, fosfatase ácida, apamina e péptido 401, enquanto o da vespa contém os alergénios: fosfolipase A1, hialuronidase, fosfatase ácida, antigénio 5 (neurotoxina) e quinina. Enquanto que uma abelha morre após a picada, uma vespa pode picar múltiplas vezes. De acordo com dados disponibilizados pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica: Na Europa a prevalência de alergia ao veneno de himenópteros é cerca de 20%. Nos adultos a prevalência de reações locais exuberantes varia de 2 a 19% e de reações sistémicas graves de 0,6 a 7,5%. Nos apicultores a percentagem de reações generalizadas é mais elevada, de 15 a 43%. Nas crianças as reações graves são raras, cerca de 0,15 a 0,3%. A incidência da mortalidade varia entre 1 a 5 mortes/10 milhões de habitantes/ano, extrapolando para Portugal, poderão ocorrer entre 1 a 5 casos fatais por ano".


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