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  • Henrique Correia

Afinal fica pouco ou nada de "pé" no edifício da Insular; nem chaminé nem fachada


Propósito do investidor: "Arquitetura do antigo prédio será conjugada com um design moderno, permitindo o melhor dos dois mundos"


Antes


Hoje


Antes

Hoje


Imagem final


Parece que não é possivel preservar muito do antigo edifício da Insular de Moinhos. A chaminé, já se sabia, veio abaixo. O mesmo destino está a ser dado à maior parte das fachadas, o que falta demolir já é pouco. Por isso, do histórico imóvel, ficarão as memórias em nome de uma renovação proporcionada por um edificio de raiz, cujos proprietários pretendem com cunho histórico na medida exata daquilo que as réplicas puderem oferecer a quem se recorda.

Tanto o Laboratório Regional de Engenharia Civil, que aconselhou a demolição da chaminé histórica, por razões de segurança, não se sabe se as indicações foram igualmente essas para as fachadas, como as instituições culturais da Região, mas também locais, no sentido da preservação do (im) possível, todas essas entidades certamente ficarão defraudadas naquelas que seriam as intenções para aquele espaço, ou seja preservar a chaminé e algumas paredes, como forma de não lembrar a história apenas por aquilo que vem nos livros.

Mas como é claro e notório, não sendo possível segurar a história pelas paredes, fica sempre o aspeto positivo de haver investimento de qualidade na zona, seguro, com requalificação da área envolvente e uma mais valia para a cidade, o que não invalida, no entanto, de se lamentar que não fosse possível recuperar grande coisa, até porque as réplicas são réplicas e não podem ser observadas como preservação do que quer que seja.

O investidor, o grupo AFA liderado por Avelino Farinha, o também "senhor comunicação social" da Madeira, apresenta como um empreendimento que "nasce num dos mais icónicos edifícios da cidade do Funchal: o da antiga Moagem da Companhia Insular de Moinhos. A arquitetura do antigo prédio será conjugada com um design moderno, permitindo o melhor dos dois mundos". Vamos esperar para ver, uma vez que talvez não seja possível ter o melhor dos dois mundos, talvez mais de um do que do outro. Com vantagem para o moderno, claro.

Na divulgação da venda de apartamentos e lojas, é recordado a parte histórica: "A Moagem da Companhia Insular de Moinhos foi construída em 1929/30 no quarteirão compreendido pela Rua Visconde do Anadia, Largo do Pelourinho e Travessa da Malta. Desde o início, o edifício destacou-se dos restantes prédios vizinhos e da cidade. A volumetria e altura, assim como as grandes janelas que ocupam a fachada frontal do espaço, sempre o tornaram único. No princípio da década de 90 do século XX, com a transferência da empresa para a Zona Franca do Caniçal, as antigas instalações fabris no centro da cidade foram desativadas, mantendo, porém, o seu aspeto imponente e distinto. Agora é chegada a altura de o fazer renascer no século XXI e abrir as suas portas a novos residentes".

O Savoy Residence Insular fica localizado no Largo do Pelourinho / Rua Visconde de Anadia / Travessa da Malta, no Funchal. O projeto inclui 46 apartamentos: 15 de tipologia T3; 14 de tipologia T2; 14 de tipologia T1; 3 de tipologia T0; 7 espaços comerciais. Estacionamentos com 81 lugares coberto/box reservados às frações.

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