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  • Henrique Correia

Afinal, o aval de Marcelo vem ou não vem? O sentido de Estado é um caso de estudo...


É assim, hoje, na política. Promessas de Estado, com uma ligeireza nunca antes vista, envolvem as figuras mais proeminentes da nossa democracia. Institucionalmente, andamos muito por baixo

As relações institucionais valem o que valem. Ou seja, pouco, nos dias que correm e nos que ainda vão correr. Não há volta a dar, é assim que se faz política e é assim que o eleitorado é "intoxicado", todos os dias, com contenciosos que ao longo dos tempos, se não fossem sobre coisas sérias, diríamos que só podiam estar a brincar. Desculpem, mas esta história do aval que falta dar, que o presidente da República promete, em audiência especial com Miguel Albuquerque, após o Conselho de Estado que teve Covid-19 à mesa com Libo Xavier infetado, é muito má para ser verdadeira.

Então, qual o valor da palavra de homens de Estado? Como interpretar todos estes contornos à volta do empréstimo de 458 milhões, envolvendo homens de Estado? Já não falo em estadistas, falo apenas em homens deste Estado em vias de falência de valores institucionais, em que a palavra não vale nada e o povo até já aceita isso. É mau, muito mau. Mas de tanto mau, já ninguém espera o bom.

Miguel Albuquerque foi a Lisboa e com sentido de Estado ouviu, de Marcelo, a garantia que o aval está garantido. Mesmo sabendo que Marcelo estava a falar pelo Governo, o que já de si é discutível, a verdade é que o Chefe de Estado deu a sua palavra, julga-se, depois de falar com António Costa. E devia ser suficiente para estar resolvido nesse mesmo dia. Miguel Albuquerque, neste aspeto com menos sentido de Estado, passa a notícia para um jornal, escolhido a dedo para servir de veículo de uma transmissão de Estado aos madeirenses. Não demorou uma semana e o mesmo Miguel Albuquerque, hoje, diz que afinal o aval ainda não veio e se não vier até sexta-feira a Madeira vai ter mais 84 milhões em encargos. Claro que andamos a brincar aos políticos e às políticas com coisas sérias.

"A proposta para o financiamento dos 458 milhões de euros sem aval tem uma taxa de 1,3%. E com o aval seria de 0,3%”, alertou o líder do Executivo. O que significa que, sem aval, a Região vai ter um encargo de 84 milhões de euros a mais, o que é um disparate”, disse Albuquerque.

Hoje, no site do Governo, um texto do gabinete de comunicação do presidente do Executivo Madeirense lembrava que, "por ocasião da última visita do Presidente da República, em julho, Miguel Albuquerque salientou o facto de o aval do Estado não acarretar qualquer implicação para a República, que não a poupança de recursos financeiros à Região Autónoma da Madeira. Nessa mesma ocasião, o Chefe do Governo lembrou que o sucesso da Madeira e do Porto Santo no combate à COVID teria de ser complementado por medidas sociais e económicas, que carecem da ajuda estatal, contando, para o efeito, com a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa junto do governo de António Costa. 

Agora, Miguel Albuquerque não tem outea,solução "Vamos aguardar até sexta-feira. Continuo a acreditar nas palavras do Senhor Presidente da República”.

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