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  • Henrique Correia

Ainda bem que o Marítimo foi salvo da falência; falta só salvar o futebol


Há duas listas no Marítimo. Muito bem, ainda bem. É bom para o clube, os sócios decidem e no final ganha o presidente de todos os Maritimistas.




O clube que um dia chamaram de maior das ilhas, precisamente por ser o maior das ilhas, mais popular, com maior número de adeptos e simpatizantes entre os clubes insulares, com um histórico importante, com uma chegada à I Divisão em tempos difíceis em que a Autonomia ainda era uma miragem, vai a votos no dia 22 de outubro e parece não estar preparado para escolher entre duas listas concorrentes. Aquilo que em democracia, e agora já em crescida Autonomia, seria normal e até saudável, porque permitia "acordar" consciências, acaba por ser uma quase "batalha campal". Não é normal, até podem dizer que é, mas não é mesmo. É pensar pequeno para quem quer ser grande num grande clube.

Mas isto não é propriamente uma novidade no processo associativo na Madeira , temos exemplos de anos a fio com direções eleitas sucessivamente, com atos eleitorais de listas únicas, em diversos setores, o que não sendo anti democrático, revela uma fraca mobilização para a condução de clubes e associações que já têm as suas cadeias de influência montadas, quer em termos internos, quer na política, nos apoios, nas obras, nos meios. Onde tudo se pede e tudo se dá, fica tudo a dever a todos qualquer coisa. Quem quiser mudar é o cabo dos trabalhos e ninguém quer perder o raio da ação desta "teia" que se nota, de forma muito particular, em pequenos meios, sem que isso represente qualquer ilegalidade, antes pelo contrário, vem todos os apoios no JORAM, às vezes 20 ou 30 com pequenas, médias e grandes verbas que ajudam a despesas correntes, carrinhas, computadores, estádios de futebol, pavilhões de um clube, sede do outro, instrumentos novos e presidentes eternamente agradecidos e eternamente reeleitos. Tem o lado bom do apoio, tem o lado mau da dependência.

Como é que podemos, neste enquadramento, esperar que de ânimo leve, de repente, apareça uma lista a disputar lugares, posições e influências, sem levar com este "lavar de roupa suja", envolvendo presidentes atuais e antigos, como se alguma vez, no futebol, os presidentes possam falar de boca cheia e com "folha limpa". Não tem nada a ver com situações menos transparentes, isso é para eventuais avaliações internas, nos órgãos próprios. Tem a ver, isso sim, com um quadro de influência que envolve tudo o que é associação, até de estudantes, e que depois tornam o caminho fechado para quem pretende exercer a democracia e parece que está em "Marte".

Há duas listas no Marítimo. Muito bem, ainda bem. É bom para o clube, os sócios decidem e no final ganha o presidente de todos os Maritimistas. Um deles salvou o Marítimo da falência, como diz Alberto João Jardim e diz que sabe, pois sabe porque era presidente do Governo, e por ter sido presidente do Governo sabe isso e sabe muito mais. Pois bem, se salvou o Marítimo da falência, ainda bem. Já está meio caminho feito e é preciso reconhecer o trabalho desenvolvido, o património do clube, a obra, sem dúvida. Há muita coisa feita, agora o que falta ao Marítimo é só mesmo salvar o futebol.

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