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AL: também foram todos ao mesmo e ao mesmo tempo?

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 28 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura



Toda a gente deita as mãos à cabeça (caso CORTEL), seguem-se averiguações para ver quem não viu ou fingiu que não viu, e até o poder local público remete intervenção alargada num novo mandato. Como sempre, reagir e não agir.



O secretário regional do Turismo tem razão, digo com com alguma ironia, mas tem razão no sentido lato da observação que fez: não há turistas a mais, há hábitos que levam as pessoas aos mesmos locais e ao mesmo tempo. Lembrei-me logo do Alojamento Local, não é a mesma coisa, nem semelhante, lembrei-me apenas pela espécie de "piada". Até já tinha pensado nisso, de repente viram o potencial do negócio AL, viram a falta de legislação adequada, viram a guerra de interesses dos governos, que uns dias "apertam", outros "alargam" as restrições, e foi um vê se te avias que os lucros são grandes, pode ser em qualquer lado, no meio de áreas residenciais como se o conceito de vida fosse igual e compatível, que não é. Daí até ao descalabro era um passo previsível.

Como diz Eduardo Jesus, numa declaração que fica para a história, sua e da Região, foram todos ao mesmo (negócio) e ao mesmo tempo. Não é a mesma coisa, mas encaixa na mesma como exemplo de situações em que a reação está a sobrepor-se à ação. Vamos sempre atrás do prejuízo e com grandes estragos já feitos.

A existência de casos de alojamento local em apartamentos de cooperativas, projetos apoiados pelo Governo e ditos a custos controlados, ainda está por provar se são mesmo controlados ou se só são apoiados, não surpreende. Era uma questão de dias, e nem se sabe, ainda, se existem mais situações do género. E porquê? Não há estratégia, há pressa de reativar as cooperativas, e bem, mas é uma pressa de obra feita para mostrar serviço face ao luxo instalado no imobiliário e ao afastamento dos madeirenses, em termos habitacionais, para a periferia da periferia. Uma "loucura" que leva a decisões apressadas, impensadas, alinhavadas para uma duração curta e sem prevenir ocorrências que possam colocar em causa a credibilidade dos projetos. Mas também colocam em causa a capacidade de fiscalização dos órgãos públicos, que muitas vezes fecham os olhos a realidades apenas para não empatar obras que servem para "branquear" especulações.

O Alojamento Local pode coexistir com o contexto da Região, mas o que não pode é desvirtuar princípios e adulterar conceitos definidos, sobretudo de residências coletivas, que não raras vezes são transformadas num caos com lixos em áreas comuns, ruídos em horários proibidos, perante a inércia das entidades e a complacência da legislação.

É óbvio que os projectos a custos controlados devem obedecer a um regulamento de aquisição, desde logo no fim a que se destinam, passando por períodos mínimos para transações futuras. Outras realidades, de negócio, serão sempre possíveis no mercado geral, aberto.

Claro que a situação que ocorreu no empreendimento da CORTEL, e que pelos vistos já tinha sido detetada há alguns meses sem qualquer ação, é preocupante relativamente à idoneidade das instituições e à intervenção dos poderes públicos. Agora que a situação foi pública, toda a gente deita as mãos à cabeça, seguem-se averiguações para ver quem não viu ou fingiu que não viu, e até o poder local público remete intervenção alargada num novo mandato.

Lá vamos de novo reagir por falta de ação através da prevenção.






 
 
 

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