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  • Henrique Correia

Albuquerque "abraça" a "velha guarda" para tentar o máximo em 2023


Miguel Sousa protagoniza a intenção de pacificar o partido com o passado e dar tudo para ver o que vale o PSD-M unido. O CDS espera quieto num cantinho.




Está convencido que vai ganhar para o seu terceiro e provavelmente o último mandato na presidência do Governo Regional. Miguel Albuquerque sabe que nada, hoje, é absoluto, já experimentou essa realidade em 2019 e safou-se por um triz, curiosamente com garantia dada por um dos piores momentos do CDS. Nunca tão poucis valeram tanto para os centristas, que chegaram ao Governo sem saber muito bem como, mas com o mérito do peso que tiveram para que o PSD pudesse continuar a governar, pela primeira vez com cedências externas a um outro partido. Na prática, o PSD governa como quer e o CDS governa como sabe que o PSD quer. Cedências em contexto negocial.

Mas agora, sobretudo depois das legislativas nacionais, há um "silêncio ensurdecedor" sobre as certezas da coligação após declarações convictas de Miguel Albuquerque na noite eleitoral garantindo quase "amor eterno" com o CDS para 2023, remetendo a discussão para depois, para o congresso social democrata, o que aos poucos se desvaneceu para outras declarações de grande incerteza, de adiamentos e de colocar de parte que o congresso discuta qualquer coligação. É coisa para ver mais tarde.

Fontes do PSD-Madeira garantem que Miguel Albuquerque, impulsionado pelo próprio partido, está a ponderar todas as hipóteses e só depois de uma avaliação é que decidirá o que fazer. É verdade que quer fazer um último mandato, para sair em 2027, mas não quer fazê-lo em situação vulnerável, sendo que vai procurar, primeiro, uma unidade interna, do género daquela que mobilizou o partido nas Autárquicas, com bons resultados que fizeram recuperar a Câmara do Funchal, como se sabe uma conquista importante e simbólica para quem tem a seu cargo a governação regional.

Para isso, garantem -nos, haverá um "piscar" de olho aos jovens e à "velha guarda", uma vez que Albuquerque vai centrar a sua atenção mais no incerto do que propriamente o que está garantido pela militância/clientela, como acontece em partidos de poder e muito mais em partidos de poder desde sempre, com o acumular dessa clientela por várias gerações.

Sabe-se que o convite a Miguel Sousa para liderar a lista ao Conselho Regional surge nesse contexto, sabendo-se que em momentos cruciais de maior tensão interna aquando da saída de Alberto João Jardim, Miguel Sousa, que foi um dos pilares do regime jardinista, assumiu uma posição crítica relativamente a Jardim, inclusive com alguma violência verbal. Hoje, a situação estará esbatida e Albuquerque quer é mesmo a unidade com produção de votos e uma vitória que lhe permita sair pela porta grande. Ficaria, assim, com uma vantagem sobre o seu antecessor, vencendo sem se eternizar no poder. Não será fácil, mas Albuquerque vai "deitar a mão" a tudo o que puder para criar uma onda vitoriosa. E dependendo do sucesso, o CDS pode valer muito ou valer nada.

Além disso, o atual líder do PSD-Madeira está disponível para incentivar a pacificação com o jardinismo, não por morrer de amores por Jardim, porque isso não acontece nem de perto nem de longe, mas porque a pacificação com o jardinismo pode trazer dividendos que lhe serão úteis em 2023. E precisa de dar sinais nesse sentido. E como o próprio Albuquerque diz, referindo-se a Lisboa, não é preciso mostrar que os interlocutores sai bem comportados, o importante é o resultado. Isso encaixa, também, no partido.

Não seria de estranhar que além de Miguel Sousa surgissem outras figuras do passado social democrata presentes na nova "era" do partido e do Governo, a tal "era" da digitalização. Quanto vale mesmo o PSD-M unido? Enquanto não há resposta, o CDS fica à espera quieto num cantinho.

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