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  • Henrique Correia

Albuquerque "ajardinado" põe todos "em sentido"; Conselho Regional soube tudo por fora



O problema é mesmo os órgãos que representam o partido e que cada vez mais têm menos importância sobre decisões relativamente delicadas para a vida do partido no seu percurso governativo.



Quando os membros do Conselho Regional do PSD-Madeira reunirem este sábado, no Porto Moniz, para aquela que seria uma reunião de grande responsabilidade para o partido, a de debate e decisão sobre as próximas eleições legislativas nacionais antecipadas de 30 de janeiro, já quase tudo está decidido. Uma espécie de "faz de conta" que para muitos faz lembrar algum passado de Jardim que muitos dos atuais dirigentes e o próprio Albuquerque tanto criticaram. Está um Albuquerque "ajardinado", diz-se com alguma ironia, mas também com algum realismo.

Os resultados esbatem a crítica, sobretudo a vitória no Funchal, mas a verdade é que o Conselho Regional deste sábado, apontado com pompa e circunstância como importante numa parte da vida do partido, servirá apenas como mera formalidade. Antes deste encontro, já os conselheiros ouviram Rui Barreto, o líder do CDS, anunciar que PSD e CDS vão juntos na lista de deputados à Assembleia da República, pelo círculo da Madeira. E já ouviram Albuquerque confirmar essa notícia, em iniciativas de Governo mas também nas reuniões com militantes que o líder tem desenvolvido nos últimos dias. E foi da mesma forma que ouviram dizer que para o CDS está reservado o 5º lugar. Se Albuquerque for cabeça de lista e o resultado for bom, pode ser que entre o candidato do CDS., o que para o CDS seria uma vitória mas para o PSD nem por isso. Há militantes que em grupo dizem que não faz sentido esta coligação para a Assembleia da República e que o PSD só terá a perder num momento em que o CDS está a definhar. Albuquerque sabe disso, mas não quer abrir qualquer fonte de conflito com o seu parceiro de coligação neste momento. Tudo isto já disse em público. Neste Conselho Regional vai repetir.

Entre militantes próximos e alguns dirigentes, reconhece-se a assertividade de Albuquerque relativamente à pandemia, mas poucos aprovam a atitude do líder relativamente ao partido. Albuquerque exerce uma posição pouco democrática para com os órgãos. O problema é a metodologia do "come e cala" , sendo que até pessoas próximas têm dificuldade para "digerir" o que se considera ser o "mau feitio" do líder, cuja dimensão tem dias mas cujas consequências são enormes internamente. Tem dias e dias. Tem pouco tempo a perder com abordagens que venham contrariar o que já decidiu, sendo que num extremar de posições, funciona a técnica do mensageiro. Ou é assim ou assim. Porque sim.

Nem sempre o partido está alinhado com as posições do líder e este até tem mostrado abertura para falar mais com as bases e os encontros já vêm decorrendo. Para falar mais do que ouvir. O problema é mesmo os órgãos que representam o partido e que cada vez mais têm menos importância sobre decisões relativamente delicadas para a vida do partido, como por exemplo a coligação e tudo o que isso implica, desde protagonismos do CDS e decisões do PSD no âmbito deste acordo que muitos consideram servir mais ao CDS do que propriamente ao PSD. A coligação foi conjuntural, ninguém quer que seja estrutural para o PSD-M.






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