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  • Henrique Correia

Albuquerque avisa críticos mas não vai "fazer sangue" antes das eleições


Albuquerque lembra-se bem do tempo em que foi ele o ameaçado de expulsão e não é naturalmente agradável. E tem consequências, como teve para Jardim na altura.




O aviso que Miguel Albuquerque fez no Conselho Regional do PSD Madeira, no último sábado, ameaçando expulsar do partido quem fizer confusão, não vai passar disso mesmo, um aviso à "navegação". Para evitar males maiores, resolveu falar "grosso" aos conselheiros, onde se encontravam alguns dos seus alvos. E tinha essa parte preparada há uns dias. Mas antes das eleições regionais de 2023, não quer confusões nem quer criar cisões que eventuais processos de expulsão sempre criam. Albuquerque lembra-se bem do tempo em que foi ele o ameaçado de expulsão e não é naturalmente agradável. E tem consequências, como teve para Jardim na altura.

A polémica recente relacionada com o alinhamento dos discursos na Festa do PSD-M, na herdade do Chão da Lagoa, com Pedro Calado a ficar de fora e com José Prada a levar com as culpas desse "esquecimento", nunca mais poderá acontecer à luz do aviso de Albuquerque,

muito menos a parte supostamente atingida passar a notícia para os jornais. Prada ficou com as culpas, cá fora aparece como uma "guerrinha" com Calado, mas a verdade é que Albuquerque sempre esteve por dentro de tudo, de quem fala, de quem não fala na Festa agendada para 24 de julho. A alguns interessou deixar assim.

Mas depois dessa "guerrinha", acabou. E sábado, tanto Pedro Calado como Miguel Albuquerque apelaram à unidade. E mesmo que essa unidade não exista efetivamente, não pode ser visível de alguma forma. Podem pensar, podem discutir, desde que ninguém saiba. E com objetivos à porta, deitem as divergências para trás das costas. Foi esse, em síntese, o aviso.

Mas fontes do PSD garantem que esse "puxão de orelhas" não foi apenas pelos episódios recentes, ou até pela impossibilidade de controlar os desabafos de Jardim. Tem a ver com o ambiente global que não é tão "cor de rosa", ou não é tão laranja, uma vez que apela a vários "travões". Aos homens de Albuquerque, aos homens de Calado. Mas também, numa perspetiva governativa, ao CDS, que nunca esteve tão empolgado como agora. Fonte próxima da Festa garante que têm vindo a registar-se pedidos de entradas vip para elementos do CDS, que demonstraram interesse, dizem, nos discursos, o que é interpretado como uma ambição de alguns centristas de irem "vestindo a camisola" com este incentivo que é fazer parte da organização governativa. E com a dimensão da Festa.

Por isso, há quem diga que este aviso de Albuquerque, sendo importante para travar ímpetos mais acentuados internamente, encaixaria também no parceiro de governo, o CDS.

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