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  • Henrique Correia

Albuquerque "desenterra" bandeira da "independência" antes de falar com Costa


"Vale a pena estarmos integrados na Republica?"




O presidente do Governo Regional mantém esta estratégia de dois passos à frente e três atrás na relação com a República. E mesmo antes de concretizar o primeiro encontro com o primeiro-ministro António, Miguel Albuquerque prepara essa reunião com fortes críticas à República face ao comportamento relativamente às Autonomias e aos constantes cortes da Lei de Finanças Regionais sem que a Região possa, por meio próprio, encontrar soluções do ponto de vista fiscal.

Hoje, à margem da visita ao Engenho Novo da Madeira, Albuquerque disse que há cortes todos os anos, as verbas da Lei de Finanças diminuem e a Região não pode fazer nada, não tem liberdade para encontrar soluções em matéria de política fiscal. Isto não pode continuar assim. E é de tal ordem que Albuquerque questiona: "Vale a pena estarmos integrados na Republica?"

Esta posição de Miguel Albuquerque, que se apresenta como factor de pressão antes do encontro com António Costa, assume, no entanto, alguns contornos que poderão ser pouco aconselháveis para encontrar um clima propício de negociação em Lisboa. O que Albuquerque fez, na prática, ainda que admitindo como pressão, foi questionar levantando a bandeira da independência quando pergunta se vale a pena integarmos a República. O que, convenhamos, é recuperar uma discussão antiga do contencioso das Autonomias ou ao da mais para trás quando as Regiões Autónomas eram parcelas nacionais mas obervadas como casos à parte, um pouco como colónias portuguesas, realidade que nem de perto nem de longe é compatível com os nossos dias.

O presidente do Governo fez estas declarações às instalações do engenho criado em 2006, no Parque Empresarial da Calheta, onde enalteceu o esforço desenvolvido na diferenciação do rum madeirense.

O governante diz que a opção daquele Engenho e dos outros engenhos da Madeira que se dedicam à produção de cana foi na diferenciação do nosso rum junto dos mercados.

Segundo uma nota publicada nas plataformas do Governo, questionado pelos jornalistas, o líder madeirense disse que o objetivo passa do Governo passa por continuar a garantir o melhor preço para a cana. "Os empresários assumiram este ano um aumento de dois cêntimos por quilo e no próximo ano o Governo também irá pagar mais dois cêntimos por quilo, através do POSEI. No próximo será assim assegurado um preço de 32 cêntimos por quilo", anunciou.

No engenho Novo são produzidos rum branco e runs envelhecidos, bem como mel de cana, para além de alguns licores regionais e ginja. Para este ano, a estimativa aponta para uma produção de cerca de 200 mil litros de rum e de cerca de 40 toneladas de mel.

Refira-se ainda que 75 a 80% da produção é vendida na Região. E 20 a 25% da produção é vendida para o exterior, incluindo o Continente e Açores e ainda mais de vinte mercados internacionais


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