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  • Henrique Correia

Albuquerque disposto a tudo mas entre dois "fogos": o risco é grande, a crise é total

O presidente do Governo abre o "peito às balas" das medidas, diz que toma as que forem necessárias, mesmo um novo confinamento. Mas sabe que se isso acontecer pode ser o colapso da economia. É esperar que isso não aconteça, já basta a crise, que é total: sanitária, social e económica.


Miguel Albuquerque está disposto a ir até onde for preciso para travar o avanço da Covid-19 na Madeira. Continua dizendo que está tudo controlado, não se sabe até que ponto nem até quando, mas a palavra de presidente vale até que a transmissão local se transforme em transmissão comunitária. Tem razão quando diz que é preciso cuidado, tem razão quando em entrevista à RTP Madeira disse que a saúde e a vida das pessoas estão acima dos festejos, precisamente para dar suporte a eventuais medidas que poderão vir a ser adotadas caso os números venham a subir com a mesma rapidez do risco que se corre pela "Festa" e para o qual o próprio presidente do Governo já tinha alertado.

Mas Miguel Albuquerque não disse só isso na entrevista, fez mais declarações um dia antes de haver mais dois mortos, elevando para cinco óbitos na Região, mas com um dado acrescido que não é de menor importância, que é o facto de haver três internados nos cuidados intensivos, o que na Madeira se revela como um fator de preocupação face aos dados que vinham sendo registados, com dias consecutivos sem internamentos nos CI. Mas hoje, há 12 internados, 9 na unidade Covid e 3 nos CI.

O presidente do Governo admitiu um quadro de grandes dificuldades, já em 2020, mas projetando o que aí vem em 2021. Para já, um problema sério, sanitário, de risco, devido ao Natal e ao regresso dos estudantes e emigrantes. Além disso, uma crise social e económica, que é de agora e do futuro próximo. Duas frentes que exigem do Executivo uma continuada tomada de medidas profiláticas e preventivas para conter a proliferação da pandemia e salvaguardar a vida e a saúde dos madeirenses e porto-santenses, mas simultaneamente garantindo que as empresas e os trabalhadores não sofram mais do que já sofrem.

Miguel Albuquerque disse ser importante "fazer tudo o que é possível no sentido de manter a economia a funcionar, alocando todos os recursos disponíveis. Temos de continuar a ter um comportamento responsável – cumprir com o distanciamento social, evitar ao máximo os convívios, a concentração de pessoas, porque quando não observados são fatores – já está mais do que provado – de desastre”, disse o governante à televisão madeirense, como é referido num texto a propósito, publicado no site do Governo.

Estas palavras de Miguel Albuquerque surgem num contexto em que a Madeira vem registando um maior número de casos, sendo previsível um aumento ainda maior com o aproximar das semanas da "Festa", com a anunciada chegada de um número maior de aviões e de passageiros, muitos deles sujeitos a segundo teste, uma medida recentemente tomada e que pretende travar o risco, já acrescido, de um maior movimento na época, de que o regresso dos estudantes e os emigrantes, representam uma atenção muito especial.

No fundo, o presidente do Governo diz que não, mas está efetivamente entre "dois fogos". É verdade, não há dois lados quando se fala da saúde e da vida das pessoas. No limite. Mas na prática, claro que há o lado do risco da pandemia, no sentido de controlá-la, do outro uma crise que é total, além de sanitária, social e económica, onde é muito difícil o equilíbrio para evitar não morrer da doença, mas também não morrer das medidas. Para quem governa, é de facto um dilema.

O presidente do Governo abre o "peito às balas" das medidas, diz que toma as que forem necessárias, mesmo um novo confinamento. Mas sabe que se isso acontecer pode ser o colapso da economia. É esperar que isso não aconteça, já basta a crise, que é total: sanitária, social e económica.


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