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  • Henrique Correia

Albuquerque falou "grosso" com a "malta"; será que a "malta" entende?

"Vai ser tudo posto na ordem. A fiscalização será reforçada e as pessoas devem ser conscientes, mais nada. Há pessoas, na noite, no Funchal e noutros concelhos, que acham que isto é uma brincadeira"


Esta imagem é recente mas não dos últimos dias e revela uma intervenção policial precisamente devido a ajuntamentos na noite funchalense, que se repetiram no último fim de semana


Miguel Albuquerque deixou claro aquilo que quer, efetivamente, para o quadro de prevenção relativamente à Covid-19. O aumento no número de casos, também na Madeira, com a primeira morte já registada, os focos de transmissão local, provavelmente não esperados tão cedo, foram fatores determinantes na antecipação de algumas medidas que serão anunciadas esta quarta-feira, 4 de novembro de 2020, um ano atípico, de grandes alterações na vida das pessoas, das empresas, em todo o mundo.

Estamos num outro momento do desconhecido. Passou uma primeira vaga da doença, atravessamos uma suposta segunda vaga, mas pouco sabemos, ainda. Fala-se em "pico", mas só se sabe da dimensão desse "pico" depois de passá-lo. Fala-se em muita coisa e sabe-se tão pouco. E é nesse desconhecimento que muitos assentam uma justificação para o incumprimento daquelas que são as regras mínimas exigidas como forma de prevenção para males maiores. Não usam máscara, ou usam pouco, não lavam as mãos, ou lavam às vezes, não ligam ao distanciamento, não ligam mesmo, vão para os cafés aos beijos e aos abraços, vão para a noite como se nada se passasse, juntos, muito juntos, nos copos, mesmo sem copos mas com muito convívio como se estivessemos em 2019. E isto passa-se, essencialmente, com os mais jovens, muitos deles convencidos, mesmo convencidos, pelo desconhecimento da Covid-19, pela "ignorância voluntária do comportamento", que não a ignorância efetiva, porque existe conhecimento e sabem o que está em causa, simplesmente não ligam. Mas também convencidos pela falta de firmeza de algumas medidas, mais nacionais, relativamente ao que se pretende alertar. Não haver ajuntamentos implica não haver ajuntamentos em qualquer circunstâncias. Ponto final. E sabe-se que não é bem assim. Por isso, se querem meter na ordem, seja o que for, só obrigando. Infelizmente, é assim, não há volta a dar.

Esta quarta-feira, o presidente do Governo Regional vai apresentar novas medidas. Não se sabe quais, talvez amanhã de manhã algumas plataformas "oficiosas" possam dar certas medidas, em forma de "furo" da Quinta Vigia, como é habitual, e assim já ficamos por dentro de alguma coisa mesmo antes da conferência de imprensa. Mas, na essência, Albuquerque faz bem em tomar medidas, também faz bem tomar medidas de acordo com o discurso. E o discurso foi duro para o negócio da noite. Depois de dizer que vai por tudo na ordem, é preciso por tudo na ordem para não perder a "face". E não me parece que isso aconteça só com fiscalização. Ou fecha mais cedo e tem os empresários em cima, que também estão num sufoco com as quebras de receita. Ou não fecha mais cedo e acredita no "Pai Natal" antecipado na resolução daqueles ajuntamentos da noite. Pode aumentar a fiscalização, mas não acaba com as concentrações nos bares. Não sei se esse é o problema, mas se as autoridades de saúde acharem que é um problema, é preciso solução. Não vai lá falando baixinho.

E Albuquerque falou tudo menos baixinho. Disse isto: "Temos riscos e e volto a dizer que a Covid-19 não afeta só os mais idosos. E sobretudo não irá repetir-se, de certeza, o que se passou neste último fim de semana e que toda a gente constatou. Há pessoas, na noite, no Funchal e noutros concelhos, que acharam que isto é uma brincadeira e pensam que podem colocar em causa a saúde da comunidade. Vai ser tudo posto na ordem. A fiscalização será reforçada e as pessoas devem ser conscientes, mais nada. Tudo o que são instrumentos, dentro da legalidade, serão aplicados, não é para reprimir as pessoas e metê-las em casa, mas numa situação destas vamos fiscalizar. Com o crescimento de casos, é preciso que as pessoas estejam conscientes. É importante cumprir as regras, estamos a trabalhar nos rastreamentos, nos testes, e é preciso tomar medidas".

Falar "grosso" com medidas "finas" é deixar tudo na mesma. Às vezes, só falando "grosso", a malta não entende...



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