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  • Henrique Correia

Albuquerque foi à Festa "fazer" de Jardim até no "inimigo externo"


A escola está toda lá depois de não terem resultado outras fórmulas tentadas para ver se o passado do partido ficava lá mesmo, no passado.




Alberto João Jardim não esteve fisicamente na Festa do PSD Madeira, no Chão da Lagoa, mas quase tudo o que aconteceu na Herdade tinha o estilo de Jardim: os abraços, os beijos, as ponchas, a popularidade da liderança, até o confronto com Lisboa foi igual, sempre o centralismo e a lógica do inimigo externo, o Governo PS que governa na República e que deve dar lugar ao novo PSD de Luís Montenegro, na perspetiva laranja, mesmo reconhecendo dificuldades pelo meio. Para o PSD de lá é diferente. Mesmo assim, não sendo fácil, Montenegro lida melhor com a poeira e com os bombos da festa e da orquestra do que o líder parlamentar na Assembleia da República, um pouco desenquadrado do espírito de arraial. Um caso a rever, talvez um erro de percurso.

Mas voltando a Albuquerque, fez tudo o que Jardim já fez, até mesmo o confronto e o contencioso poucos dias depois de ter afirmado que as relações com Lisboa estavam a entrar na normalidade. Não é esta pelos vistos, mas é aquela que levou os deputados do PSD-M a furarem a disciplina partidária por um bem superior que é a Madeira. Albuquerque fez como Jardim. Só não é Jardim, de resto a escola está toda lá depois de não terem resultado outras fórmulas tentadas para ver se o passado do partido ficava lá mesmo, no passado. Por isso é que muita gente, na Herdade, gostou mais deste Albuquerque menos versão Real.

Dizem que desta vez Jardim está tranquilo com isso. O Porto Santo ganhou ao PSD e o presidente honorário do partido deixou-se ficar, mandou um abraço e pronto. Só não gostou que dissessem que o espaço para as crianças, na Festa, fosse anunciado como algo inovador. Houve no tempo de Jardim, deixou de haver depois para quem quis inovar por inovar e agora foi retomada a ideia. A propósito, Jardim escreveu: "No “Chão da Lagoa”, desde há muitos anos que há uma área para os miúdos mais pequenos, devidamente aí

acompanhados". Jardim está calmo mas não deixa passar nada.

De resto, garantem-nos que o PSD-M atravessa um dos seus melhores momentos de unidade interna, o que há são pequenos focos facilmente debelados pelos líderes das eventuais tendências, que entre si têm muito a perder com desavenças e muito a ganhar com alianças. Há como que um "acordo de cavalheiros" ou "pacto de não agressão". Por isso, asseguram, o maior problema do PSD será mesmo o CDS e o poder de José Manuel Rodrigues no processo de negociação da coligação para 2023. Já se viu onde chegou, já se vê onde pode chegar, dizem algumas "fontes" laranja.

Além disso, no PSD-Madeira, há a consciência que o PS atual só muito dificilmente terá, em pouco mais de um ano, uma força que possa perigar a governação ao ponto de protagonizar uma mudança, como esteve quase a acontecer em 2019. Só se mudar muita coisa no PS Madeira é que o PSD começará a ficar preocupado. Por agora, o foco, ainda meio "encoberto" é o CDS. 

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