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  • Henrique Correia

Albuquerque quer que Marcelo dê tempo aos partidos para se recomporem


“Não é por causa de mais um mês ou de menos um mês que o País vai deixar de funcionar".




O presidente do Governo Regional e do PSD Madeira sempre defendeu a queda do Governo da República. Independentemente do contexto e do enquadramento. Entre sorrisos convenientes nas deslocações de António Costa à Madeira, com juras de estreitamento de relações, do género "agora é que é", e "ataques" inconvenientes assim que Costa colocava os pés no aeroporto, assistimos a tudo e tudo serviu para este reeditar do diferendo das Autonomias.

Albuquerque tanto pediu, como de resto o PSD nacional, o CDS, o BE e o PCP, que conseguiu. Mas o que não esperavam, provavelmente, era que o Presidente da República ia acelerar o processo de dissolução do Parlamento e convocação de eleições antecipadas. Para ser já. Em plena crise interna no PSD e no CDS, sendo que esta instabilidade, mais lenta do que o processo eleitoral, pode deixar duvidas no eleitorado e ficar tudo como está.

Mas ao contrário do que diz Marcelo Rebelo de Sousa, cuja decisão diz não estar condicionada pelos calendários eleitorais internos dos partidos, Miguel Albuquerque não fica indiferente à "manta de retalhos" do PSD de Rui Rio, o atual líder, que corre riscos de ser ultrapassado pelo outro candidato, Paulo Rangel, provavelmente mais representativo da ala passista, que pode servir para dentro, mas não serve para fora. É a diferença entre ganhar o partido e ganhar o País. E Miguel Albuquerque está atento

Hoje, em declarações prestadas à margem da inauguração do Alpendre, o líder regional lembrou "a demissão de António Guterres e o facto do então Presidente da República ter dado tempo a que as forças políticas se recompusessem para apresentar-se às Eleições. “Não é por causa de mais um mês ou de menos um mês que o País vai deixar de funcionar e, portanto, há que criar as condições objetivas para que as forças políticas que se vão apresentar aos eleitores tenham processos de estabilização e de clareza, o que é fundamental”.

Ou seja, as eleições esperam pelos partidos, a partidarização em primeiro lugar, a vida do País logo a seguir. Porque o mais importante é mesmo isto: “O que é necessário neste momento é garantir que o sufrágio vai decorrer sem problemas e que os eleitores, os cidadãos portugueses, vão fazer uma escolha clara perante projetos consistentes”, disse, reforçando que o que está em jogo são os interesses do País e o respeito pelos direitos dos cidadãos – que escolherão livremente e de forma clara aquilo que querem para o futuro – sendo que, para tal, é fundamental que exista clarificação em todos os Partidos e que, quando forem votar, os eleitores façam a sua escolha perante projetos que estejam devidamente estabilizados".

Albuquerque disse, ainda, que "a crise política que Portugal atravessa acresce a uma crise económica que já se vislumbra no horizonte e que, por isso mesmo, obriga a que haja definição e clareza no espetro político para que as decisões a tomar, quanto ao futuro, sejam tomadas de forma clara e responsável".



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