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  • Henrique Correia

Albuquerque vai para um ano de grandes desafios, a pandemia deu crédito mas não dura sempre


O líder reeleito tem um 2021 ainda mais difícil do que este 2020, porque se junta a crise às eleições autárquicas, onde o partido deverá "vestir" o fato de "operário" se quiser recuperar a hegemonia perdida. É preciso trabalhar muito. O capital da Covid-19 não dura sempre.


Miguel Albuquerque foi reeleito líder do PSD-Madeira, como de resto era de esperar neste cumprimento de uma mera formalidade democrática. Está pronto para novo mandato e vai a congresso já com tudo resolvido, longe vão os tempos em que os congressos resolviam lideranças e eram espaços de debate, mas também de estratégias de decisões. Agora, são momentos de exaltação dos líderes.

E esta reeleição de Albuquerque era de esperar por ser lista única e pelo facto de ser, esta, a pior conjuntura para que alguém se chegasse à frente na tentativa de, num laivo de atitude de "suicídio político", ir a votos com o atual líder. Neste momento, Albuquerque ganha dentro e ganha fora, até nem sei se as eleições regionais fossem agora se precisaria do CDS como "bengala" da maioria absoluta. É tão natural como a sua reeleição partidária, é normal, nem foi preciso muito, a Covid-19 trouxe um clima de desconfiança e medo e as pessoas com medo querem é fechar tudo. Foi o que Albuquerque fez, a seu tempo, e acho que bem, quando mesmo sem poderes para o fazer deu ordem para fechar o aeroporto.Não fechou de todo, mas fechou parte e isso trouxe ganhos para travar a evolução da pandemia na Região.

Foi como as máscaras, não podia obrigar em espaços públicos, disse que obrigava sem poder obrigar, fez uma resolução porque não podia fazer decreto-lei, uma vez que só tinha poderes para recomendar, mas a medida foi andando mesmo sem muita gente respeitar. Mas ganhou popularidade, que em política se traduz em votos. Aquela "tremideira" das Regionais, que fez o PSD Madeira deitar mão do que podia para evitar o "afogamento na praia", deve ter desaparecido neste momento, sendo que o CDS, pelo cenário que a Covid-19, deve esfregar as mãos de contente porque se fosse hoje talvez o PSD não precisasse. Mera especulação, é verdade, mas sustentada numa inesperada crise. Parece que Albuquerque tem por hábito dar-se bem com as crises, já foi assim no 20 de fevereiro de 2010, era então presidente da Câmara do Funchal. Pega bem, em política, dizer que as pessoas estão em primeiro lugar, que primeiro está a saúde e depois o turismo. Pega bem e é verdade no meio de uma pandemia, cujos números também estão a subir aqui.

Miguel Albuquerque vai para um novo mandato no partido com um partido aparentemente unido. Aparentemente, porque há células que, no meio da guerra fria, querem ver Albuquerque pelas costas e até já apontam Pedro Calado como o futuro líder. Aliás, Pedro Calado tem sido mais falado do que qualquer outro nome nos últimos tempos. Qualquer coisa que o partido precise, seja para onde for, lá está Calado na berlinda. Como foi chamado a salvar o Governo e o partido de quem estava a dar cabo da conquista, para além de ser o elemento de equilíbrio deste Governo de coligação, agora aparece como sendo o "salvador" de situações difíceis, como será a Câmara do Funchal no próximo ano. Uma "cobrança" muito complicada. Mesmo para Calado. E Calado sabe disso, por isso está calado.

O PSD-Madeira deu mais de 87% a Miguel Albuquerque. Não havia outro. Mesmo assim levou com uns nulos e uns brancos, nove ao todo. Não deixa de ser curioso, embora internamente seja desvalorizado em função da esmagadora vitória. Albuquerque teve um ano de 2020 difícil, decidiu bem em muitos momentos, nem por isso noutros, a reboque da Covid-19 e da desburocratizaçao, anda muito ajuste direto a passar ao lado de toda a gente, mas na globalidade e na Saúde tem andado bem. Tem, também, um 2021 ainda mais difícil do que este, porque se junta a crise às eleições autárquicas, onde o partido deverá "vestir" o fato de "operário" se quiser recuperar a hegemonia perdida.

É preciso trabalhar muito. O capital da Covid-19 não dura sempre.


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