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  • Henrique Correia

André Escórcio de saída fala em "intolerável pressão sobre os profissionais da educação"


Presidente cessante da Assembleia Geral do Sindicato dos Professores aponta "a inexplicável burocracia, a centralização do poder e o concomitante estrangulamento

da autonomia das escolas".





Num momento em que Francisco Oliveira inicia mais um mandato na coordenação do Sindicato dos Professores da Madeira, ocorre o registo de um fim de ciclo nos órgãos dirigentes para uma figura que dispensa apresentações, pelo currículo, pela intervenção cívica e pelo percurso político, que também marcou, no âmbito da ação desenvolvida no Partido Socialista. Também no desporto, na natação, em tempos relevantes da competição. Hoje, no SPM, André Escórcio fecha a sua participação enquanto presidente da Assembleia Geral. Não poupa elogios ao coordenador do Sindicato, não se coibe de criticar a ação governativa em tempos difíceis para os professores.

O professor Escórcio, como era e é conhecido, escreve na sua página do Facebook sobre o "privilégio de pertencer a esta equipa nos últimos dois mandatos, enquanto presidente da mesa da Assembleia Geral de Professores", sublinhando ter constatado, no dia-a-dia, aquilo que há muito sabia: não é fácil o trabalho sindical. É complexo e exigente porque faz apelo, a todo o momento, à leitura política e jurídica de tudo o que envolve os educadores e professores, a permanente negociação, normalmente de sentidos contrários e, naturalmente, a formação permanente dos associados"

Escreve que "os tempos e os ventos não são de feição. As incompreensões do poder são enormes, falam muito mas cumprem pouco, a intolerável pressão exercida sobre os profissionais da educação através de uma inexplicável burocracia, a centralização do poder e o concomitante estrangulamento

da autonomia das escolas, o bloqueio da Assembleia Legislativa às propostas de debate do sindicato, apresentadas pelos partidos da oposição, as questões relacionadas com a extensa listagem de âmbito legislativo, a precariedade, eu sei lá a extensão do rol de tarefas diárias com as quais os sindicalistas se confrontam".

Apesar disso, quer acreditar: "Não é fácil ser sindicalista; não é fácil carregar com os problemas de toda uma classe profissional e fazê-la acreditar que os direitos não caem do céu, antes se conquistam, quase sempre, em longas lutas; não é fácil fazer ver que os direitos profissionais fundamentais são inegociáveis; não é fácil, nos dias de hoje, a vida dos sindicatos, em geral, e dos sindicalistas, em particular. Na verdade, a opinião pública está repleta de ideias deturpadas em relação à realidade laboral, com tendência a apresentar os sindicatos como organizações cristalizadas num tempo que já não existe, lutando por ideais há muito alcançados e em que já poucos se reveem. Falso, os sindicatos continuam a ser essenciais para o equilíbrio das tensões laborais e para a garantia de direitos que já deveriam estar consagrados, mas não estão. É isso o que tem feito, desde 1978, o SPM (...)".

André Escórci diz que "o trabalho continuará nos próximos três anos. Desejo a todos as maiores felicidades ao mesmo tempo que lhes agradeço a simpatia destes seis anos em que fiz parte da equipa. Muita determinação é o que desejo. Em função das minhas profundas convicções, gostaria que, neste mandato, fosse dada uma ênfase especial na formação dos professores, na de base técnico-científica, obviamente, mas sobretudo na mudança de mentalidade que conduza a escolas que pugnem por uma aprendizagem consequente".

Francisco Oliveira tomou posse e sobre Escórcio disse ter sido "um elemento fundamental na estrutura interna do nosso Sindicato, tendo contribuído de forma indelével para a estabilidade e para a credibilidade de que goza hoje, quer interna, quer externamente".

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