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  • Henrique Correia

Apoios em série para evitar despedimentos em massa; clientes a menos e trabalhadores a mais

Miguel Albuquerque lamenta a situação de um conjunto de trabalhadores do Reid's alvo de um processo de despedimento. Mas há mais na hotelaria madeirense



As declarações de Miguel Albuquerque foram feitas no âmbito de uma visita a uma exploração agrícola, no Faial.


Passado o período de expetativa, mal passado ainda o período de "lay-off" e dos sistemas que se seguem que mantêm apoios e mudam de nome, a verdade é que começam a aparecer situações que se temiam, mais dia menos dia, os anúncios de despedimentos, de rescisões amigáveis que só não se chamam despedimentos porque fica mais agradável, mas vai dar ao mesmo, com naturais focos no turismo, onde não havendo "milagres", o cenário revela-se verdadeiramente preocupante no nosso modelo de desenvolvimento que foi muito assente no setor.

A retoma do turismo está, naturalmente, a ser lenta, os números da Covid-19 vêm subindo, em muitos países, e isso não ajuda nada. Para chegar turistas, não é só necessário que a Madeira mantenha a situação epidemiológica como até aqui, mas também que a situação acalme nos países emissores. E aí começa o problema, com Espanha, por exemplo, num crescendo avassalador no número de casos.

O presidente do Governo garante "todos os apoios para manutenção de postos de trabalho", uma boa intenção, que certamente tranquilizaria os trabalhadores num contexto normal, mas neste, na atualidade, vale pela política seguida de ajudar empresas e pessoas, mas infelizmente não vai impedir que o desemprego seja o caminho para milhares de trabalhadores, a médio prazo.

Miguel Albuquerque lamentou a situação de um conjunto de trabalhadores do Reid's e manifestou-se preocupado, mas, também, esperançado que as medidas há muito adotadas pelo Executivo contribuam para a manutenção de postos de trabalho na restauração e hotelaria no quadro de uma crise pandémica que vai a meio. Um discurso para o exterior, de esperança, compreende-se. Lamentou o que se passa no Belmond Reid's, mas podia ter lamentado o que está anunciado para o grupo Savoy, que prepara o envio de 400 trabalhadores para "lay-off". O secretário regional do Turismo foi mais realista, uma vez que é isso mesmo que vai acontecer face à estrondosa crise: "Não será possível salvaguardar todos os postos de trabalho".

Esta é a realidade, pura e dura. Sem surpresa, sem acusar quem quer que seja, mesmo sabendo que o Governo há-de sempre dizer que faz tudo e a oposição há-de sempre dizer que o Governo não faz nada ou faz pouco. Nada de novo, também aqui. Mas há a crise, como em todo o mundo, haverá mais despedimentos, sobretudo no setor do turismo, na globalidade, na hotelaria e restauração, nos serviços periféricos do setor, muita gente para podermos encarar o futuro com otimismo.

Miguel Albuquerque manifestou-se ainda preocupado, mas, também, esperançado que a situação não ocorra em outros grupos hoteleiros, dado os esforços encetados há largos meses pelo Governo Regional, no sentido de assegurar linhas de apoio às empresas, com o objetivo de manter postos de trabalho. “Lançamos uma linha de apoio, já com 57 milhões de euros aplicados, sobretudo em empresas hoteleiras, cujo apoio é convertido a fundo perdido se se mantiverem os postos de trabalho”, recordou o Chefe do Governo.

“Temos de garantir todos os apoios, porque estamos a meio da crise pandémica. Há, aliás, uma segunda vaga na Europa e no mundo, como já se percebeu”, disse o Presidente do Governo.

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