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  • Henrique Correia

Aprendemos alguma coisa com a pandemia? Não, não aprendemos


Imagino como ficou o presidente, como imagino a sua reação quando viu as imagens da ida dos madeirenses à neve, à poncha, ao prego, com gente em cima de gente, com bonecos de neve e muita máscara abaixo do queixo ou recolhida nos bolsos




O presidente do Governo Regional indignou-se, recentemente, e muito bem, com o que viu num centro comercial, com o que viu junto a alguns bares da noite funchalense, mas também com os relatos que chegaram à Quinta Vigia sobre incumprimentos no resto da ilha, onde a sobrelotação dos espaços e uma série de atropelos às regras, dão a ideia que as pessoas também já pensam como algumas mensagens: está tudo controlado.

Imagino como ficou Albuquerque quando viu a festa numa conhecida unidade hoteleira, na noite de final do ano, além de outras festas, por essas alturas, mas sem o azar de haver fotografias para testemunhar.

Mas imagino como ficou o presidente, como imagino a sua reação quando viu as imagens da ida dos madeirenses à neve, à poncha, ao prego, com gente em cima de gente, com bonecos de neve e muita máscara abaixo do queixo ou recolhida nos bolsos. Imagino, hoje, como ficou com uma imagem junto ao Liceu, com alunos juntos, de máscara, a maior parte, mas com um ajuntamento que faz refletir até quem pensou nunca fechar as escolas. Imagino que esta imagem só veio confirmar o que poderá acontecer, fechar as escolas do sétimo ao décimo segundo anos, aquela fase que dá como resposta, como vimos testemunho no Facebook, que "os meus pais não me dizem nada, você é que vai dizer?", quando alguém chama a atenção. E eles não não estão a mentir, muitos dos pais não dizem mesmo. E andam todos a pensar que só acontece aos outros. Até um dia.

Por estas imagens, que circulam no Facebook, mas por tantas outras realidades neste contexto diferente, no qual muitos se comportam igual, verifica-se que não aprendemos nada com a pandemia. Não aprendemos nada sobre o que é a pandemia, como não aprendemos nada do sentido cívico e solidário, do que é a vivência em comunidade, do esforço individual para o bem coletivo, mesmo que esta doença já tenha demonstrado que tanto leva o novo como o idoso, tanto afeta o rico como o pobre o "remediado", que corresponde à classe maus atingida, a média.

Não aprendemos nada. E já não chegamos a tempo de aprender. Só fechando tudo para aprenderem o que é a diferença. Muitos já não se lembram o que é o confinamento.

Vamos aguardar pelas medidas que Miguel Albuquerque vai apresentar, hoje, numa declaração às 17 horas.

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