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  • Henrique Correia

As doenças da "cura"



As pessoas não suportam mais paragens, os empresários não aguentam novo "golpe". Acho que, neste particular, o Governo Regional decidiu bem. Arrisca, é verdade, mas fá-lo no pressuposto que haverá um contributo coletivo.




Compreende-se que o Governo Regional esteja a segurar, até onde for possível, um conjunto de medidas que possam ser mais gravosas para uma nova paragem da economia. As pessoas não suportam mais paragens, os empresários não aguentam novo "golpe". Acho que, neste particular, o Governo Regional decidiu bem. Arrisca, é verdade, mas fá-lo no pressuposto que haverá um contributo coletivo para uma prevenção mínima, pelo menos no que é essencial, a máscara e o gel, uma vez que o distanciamento social é uma completa utopia. Há muito tempo.

Mas a verdade é que embora os números indiquem um período ascendente da nova vaga da Covid-19, ainda ontem foram 120 novos casos, é importante termos em conta que está a ser desenvolvida uma ação de testagem massiva da população, o que por si só determina uma parte dos novos positivos, dando assim possibilidade a uma ação de resposta mais rápida. Uma realidade que poderia ser transposta para o Aeroporto, não ficaria mal porque muitos dos casos podem ter essa proveniência. Vejamos o exemplo de um voo de repatriamento, promovido pelo Governo português e com os passageiros vacinados e testados na origem, que resultou em três positivos nos testes exigidos à chegada a Portugal. Só por isso, valeu a pena a medida, mesmo com o problema do pagamento do teste ser suportado pelo passageiro.

Claro que a falta de conhecimento, generalizado, sobre o vírus e as suas mutações, e dentro destas umas mais fortes do que outras, permite a adoção de medidas avulso, uma espécie de navegação à vista, que coloca em causa quem tem a responsabilidade de decidir. E só assim se compreende a oscilação, quase diária, de informações que visam cuidados e capacidades das vacinas entretanto já dadas com a quase garantia de sucesso a 70, 80 ou 90 por cento, hoje já nem isso, ao ponto de se perceber que é preciso um reforço, que não se sabe se no futuro será vacinação anual, como a gripe, mas mesmo assim até se discute a eficácia das atuais vacinas face a novas variantes.

Tirando aquela conferência infeliz de Miguel Albuquerque, num claro impulso em função dos números que lhe puseram em cima da mesa, daí resultando uma obrigação porque sim sem sequer avaliar se podia ou não obrigar. Falou à Região como se estivesse no gabinete com os adjuntos.

O Governo tem adotado algumas medidas que, comparativamente ao que se passa no exterior da Região, têm sido mais eficazes. E neste particular das festas do fim do ano, o que é aconselhável, está a acontecer em muitos concelhos do continente e em muitos países, é cancelar as festas de fim do ano. Mas compreende-se que o Governo Regional não o faça, já colocou uma pressão enorme nos bares e nos restaurantes com o teste mais o certificado de vacinação, não quer de seguida fechar tudo. Aceita-se que aguarde o momento para novas medidas, as atuais têm o tempo de vigência até 15 de dezembro, mas a verdade é que, com esta volatilidade de informações e números, torna-se quase impossível decidir tudo bem. Parece, no entanto, que a testagem massiva e o uso da máscara em situações mais complexas de ajuntamentos, podem ser opção de comportamentos importantes de prevenção.

Fechar tudo outra vez será a última coisa a fazer. E ninguém quer novo confinamento. Nesse caso, como aliás aconteceu a muita gente, podemos não morrer da doença, mas morrer da cura, os chamados efeitos secundários a todos os níveis. São as doenças que a "cura" traz. E queremos uma "cura" minimamente saudável.


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