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  • Henrique Correia

As escolas são focos de contágio

Não podemos fechar tudo, seria incomportável para a economia. Não podemos fechar as escolas, uma vez que o presencial é importante para o sistema de ensino. Mas se não fizermos nada, vamos continuar a assistir a casos nas escolas da Madeira


Para quem teve a oportunidade de observar as informações oficiais, da secretaria regional da Educação, sobre a evolução dos casos de Covid-19 na Madeira, que estão ligados à comunidade educativa, direta ou indiretamente, facilmente constata que estamos perante uma realidade com tendência a aumentar nos próximos tempos, o que nem sequer é surpreendente, primeiro porque a Covid-19 atinge todos, não apenas idosos, mas também, e essencialmente, porque as escolas representam focos potenciais de contágio, pelo número de envolvidos e pela envolvência de comportamentos pouco cuidados, como facilmente se pode constatar.

Ali, em qualquer estabelecimento de ensino, há tudo o que é desaconselhável, mesmo que interiormente o uso da máscara seja obrigatório. O problema é depois, à saída, os ajuntamentos, os cumprimentos, os contactos posteriores com familiares, alguns idosos. E há o contrário, também levam de casa para a escola sobretudo em casos de registo de viagens e não cumprimento do isolamento ou quando em casa os cuidados preventivos não têm aquele rigor necessário, primeiro com a confiança deste "cantinho do Céu" da Covid-19, expresso por poucos casos, mas já com motivos de alguma preocupação, depois por aquela ideia peregrina que só acontece aos outros.

Acho que o foco das autoridades de saúde deveria estar, mais agora, nas escolas. Percebe-se o incómodo de fechar outra vez, percebe-se que as aulas online devem ser solução de recurso, mas penso que o conjunto de medidas restritivas, tanto no continente como na Madeira, era perfeitamente compaginável com alguma medida para os estabelecimentos de ensino, acima de tudo num momento em que, supostamente, estamos a caminho de um "pico" da segunda vaga e a um mês das férias do Natal, o Natal possível, ainda assim Natal, festa da família e em que o próprio momento ultrapassa quaisquer barreira que possam ser colocadas neste contexto de pandemia.

Não podemos fechar tudo, seria incomportável para a economia. Não podemos fechar as escolas, uma vez que o presencial é importante para o sistema de ensino. Mas se não fizermos nada, vamos continuar a assistir a casos nas escolas da Madeira, umas fechando temporariamente, a maior parte não, com medidas que cabem nos planos de contingência, mas que deixam professores, alunos, funcionários e pais numa angústia à espera de resultados, cujas consequências de ansiedade não se sabe se serão ou não superiores a um eventual encerramento até final do ano.

A Noite do Mercado não pode ser o que era. O Parque de diversões não pode ser o que era. A noite de final do ano não pode ser o que era. As noites da Madeira não podem ser o que eram, as reuniões de família não podem ser o que eram, os estudantes que regressam vão ficar em casa para fazerem dois testes e a noite de Natal, para muitos, não será o que era. Os restaurantes não podem servir como serviram e nada pode ser o que era.

E as escolas podem?

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