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  • Henrique Correia

As listas de espera devem estar fora da luta política


Não tenho razões para duvidar da honestidade das pessoas, tanto do poder regional como local, sobretudo neste particular da Saúde. Em algum outro "resto", acredito que a "amizade" seja muito bonita.




A situação relacionada com as listas de espera para consultas, exames e cirurgias assume uma importância que deve resultar numa clara definição de prioridades imediatas, obviamente com graus de gravidade diferentes e admitindo-se que em situações limite, a resposta seja imediata. Mas no geral, independentemente de maior ou menor gravidade, uma cirurgia é sempre uma cirurgia, envolve pessoas, alcança a vida dessas pessoas, consigo próprias e com os outros, é sempre uma questão muito delicada que deve ser tratada, também, com a subtileza, delicadeza e responsabilidade correspondentes. Deve ser uma realidade acima de partidos, de ideologias. Tantos anos depois da democracia, que deveria apresentar um estado adulto, já não se consegue "traduzir" este ímpeto que corre nas veias dos políticos, de recorrerem, recorrentemente, a todo o argumentativo que esta dialética partidária ensina, mas que a prática já demonstrou como redutora de um Estado crescido ou de uma Região crescida, sobretudo em temas para os quais deveriam ser canalizados meios comuns em favor de um objetivo comum.

As listas de espera são um flagelo, uma preocupação efetiva, de todos, das pessoas em primeiro lugar, que sofrem com a espera e enquanto esperam ainda são "obrigadas" a uns disparates que a "escola dos partidos" tem na base da formação para os seus "alunos". Mas também acredito, genuinamente, que é uma preocupação dos governantes, regionais e locais, que se movem como podem nas suas áreas de influência.

Não é bonito, para não dizer que é muito feio, assistirmos a um debate sobre quem recuperou mais cirurgias, quem dá lugar aos amigos nas prioridades, levantando suspeitas que, ainda por cima, encaixam nos dois lados. É tão verdade que Santa Cruz pode ter dado aos amigos o Programa de apoio a pequenas cirurgias, como é verdade que a Região possa ter privilegiado amigos no Programa de Recuperação de Cirurgias (PRC), em vigor há algum tempo, com recurso a trabalho extra por parte das equipas de saúde, e muito bem. Não tenho razões para duvidar da honestidade das pessoas, tanto do poder regional como local, sobretudo neste particular da Saúde. Em algum outro "resto", acredito que a "amizade" seja muito bonita.

Mas mesmo admitindo que um ou outro amigo tenha sido bafejado por estas cirurgias, que estavam paradas, são pessoas que têm um problema e ficou resolvido, saíram das listas, seja por decisão da Autarquia, que até nem teria responsabilidades nesta matéria de âmbito da governação regional, seja por decisão do Governo, cujo empenho não se duvida em função das dificuldades de recursos e, claro está, o argumento que encaixa em tudo, a pandemia.

Ainda bem que a Madeira tem o PRC, adotado pelo Governo, ainda bem que a Câmara de Santa Cruz decidiu desenvolver um programa de apoio a pequenas cirurgias, as outras câmaras podiam fazer o mesmo e resolviam as cirurgias de 1.100 pessoas, tendo como referência os 100 já ajudados em Santa Cruz. Ainda bem que fizeram, o problema nunca é quando se faz, e o que não se faz podendo ser feito.

O povo quer saber de coisas concretas enquanto os políticos pensam muito nos votos. É por isso que tão pouca gente vota. Não sei, passados tantos anos de vida democrática, o que é que ainda não perceberam.

Mas se não perceberam até agora, também já não vai nem fazendo um desenho...



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