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  • Henrique Correia

Assembleia, Governo e Câmara com "marcação cerrada" na agenda pública


E é com esta dialética da representação e da afirmação, pessoal e institucional, que as instituições vêm desenvolvendo a sua estratégia de comunicação.




Não tem passado despercebido o novo contexto político na Região e as estratégias comunicacionais das instituições Assembleia Regional, Governo Regional e Câmara Municipal do Funchal, alterando assim um certo "modus operandi" anteriormente verificado em que o presidente do Governo assumia as "despesas" dos discursos e do protagonismo e o resto ficava num plano secundário. Jardim resolvia de forma fácil, não convidava nem o Representante da República nem o presidente da Assembleia, que no seu tempo até era do mesmo partido, o PSD, e não criava problemas. Albuquerque não pode fazer isso.

Mas para quem está atento, tanto a Assembleia como a Câmara do Funchal assumiram um papel de maior visibilidade, sempre acompanhada por uma comunicação "agressiva", no sentido da intensidade da presença do presidente ou de um vereador, com a correspondente divulgação das declarações e imagens através dos respetivos departamentos de comunicação, o que de resto já acontecia com a Quinta Vigia, que agora tem uma concorrência intensa e diária de um Parlamento virado para o exterior e para dar visibilidade ao seu presidente e de uma Câmara que não deixa passar nada. E no caso de José Manuel Rodrigues, jornalista, não deixa a comunicação "descansar". Sabe bem porquê. Calado, pelas ligações mistas, ao mundo empresarial da comunicação, também sabe muito do assunto.

Mas o presidente da Assembleia sabe outra coisa, sabe que esteja onde estiver, quando comparado com o presidente do Governo, está sempre protocolarmente em primeiro. E tem o protagonismo número um, ao contrário do que aconteceu recentemente no Dia do Empresário, iniciativa da ACIF, onde foi relegado para a plateia. Sem aparente problema.

José Manuel Rodrigues sabe como é o protocolo, mas também não quer retirar protagonismo, sempre, ao presidente do Governo, estando presente em quase todas as iniciativas. E sabe, também, que se mandar representação através dos vices, pelo estatuto dos vices e representação direta, estes também estarão investidos como se fossem o presidente, é a mesma situação em termos de protocolo. E talvez por isso, José Manuel Rodrigues já testou uma outra solução para resolver este poder institucional que tem face ao Governo. Em dois momentos, fez-se representar pelas secretárias da Mesa da Assembleia, as deputadas Sofia Canha e Clara Tiago, em representações autárquicas. Assim, mesmo representado, já não lidera o protocolo e o presidente do Governo passa a ter a primazia do ato desde que não esteja o Representante.

Relativamente a Pedro Calado e a sua vereação, está em todas e com vasta divulgação através dos vários meios que dispõe. Um plano conunicacional que obedece certamente a uma estratégia de presente, mas muito em preparação do futuro. Calado vai aos atos públicos e em quase todos eles fala, mesmo os que são iniciativa do Governo ou privados com a presença do presidente do Governo. E pode fazê-lo.

E é com esta dialética da representação e da afirmação, pessoal e institucional, que as instituições vêm desenvolvendo a sua estratégia de comunicação global.

Para utilizar um termo futebolístico, é uma "marcação cerrada", quase "homem a homem". Aproxima-se muita coisa em "jogo".

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