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  • Foto do escritorHenrique Correia

Assim, não é preciso nem Presidente nem primeiro-ministro...




A crise não se resolve pedindo desculpas, como disse Marcelo referindo-se a António Costa. Mas também não se resolve com raspanetes como se fosse na escola.




Assim é que estavam bem....


Como é possível o Presidente da República não conseguir acertar agulhas com o primeiro-ministro, pela primeira vez em sete anos, não conseguir evitar uma discordância pública de "interesse nacional", dizer, na essência, que António Costa não é confiável, e mesmo assim considerar que em nome da "estabilidade do País" não dissolve o Parlamento e promete que agora é que vão ver como é um Presidente "andar em cima" do Governo?

Como é possível construir estabilidade em cima de um discurso de instabilidade institucional? Como vai Marcelo conviver com quem não confia mais? Como vai avaliar uma governação que em sua opinião deveria ter sido remodelada? Como é que Marcelo tem a percepção que este seu posicionamento vai ser avaliado pelos portugueses? Quando Marcelo diz que vai estar mais atento, significa o quê? Vai falar mais vezes do que já fala? Vai passar todos os dias em raspanetes ao Governo? Tem o próprio Presidente condições de isenção, a partir de agora, para agir de forma eacional e não emocional? Tenho muitas dúvidas relativamente a este entendimento do Chefe de Estado como fórmula para aguentar este Governo que sai de tudo isto diminuído na sua credibilidade, ainda que tenha a legitimidade do voto por via da maioria absoluta. Nada será como dantes, o País não pode andar neste "jogo do gato e do rato".

Houve uma falta de sentido de Estado em todo o processo que envolveu o roubo de um computador por parte do adjunto do ministro das Infraestruturas João Galamba, acabando com o pedido de demissão do governante que o primeiro-ministro não aceitou contra a vontade do Presidente da República. Não era um caso de Estado mas passou a ser pela falta de maturidade e estatura política dos intervenientes, a começar pelo ministro que nunca deveria ter feito aquela conferência de imprensa ridícula a falar de situações de funcionamento interno, que deveriam ser reservadas. Depois, tanto o primeiro-ministro como o Presidente da República deixaram-se envolver por essa falta de dimensão, ao ponto de termos o gelado de Marcelo a concorrer com outra imagem de triste memória de Cavaco a comer bolo e a falar de boca cheia. São estas faltas de grandeza que desiludem o eleitorado. Percebem agora porque razão André Ventura tem tantos votos? Ou ainda precisam de mais para confirmar? Talvez acordem quando o Chega passar a sua representação para o dobro.

Portugal perdeu dimensão através de dois dos seus maiores representantes, o Presidente da República e o primeiro-ministro. A crise não se resolve pedindo desculpas, como disse Marcelo referindo-se a António Costa. Mas também não se resolve com raspanetes como se fosse na escola. Estas figuras estão lá para assumirem os cargos e as dificuldades das decisões. Para fazer nada, não é preciso nem o Presidente nem o primeiro-ministro.

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