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  • Henrique Correia

Assim, o PS-M não chega "lá"...


2019 foi um momento único que dificilmente voltará a repetir-se porque nunca tantos fatores se conjugaram em torno de um objetivo.




Assim, o PS não chega lá. Nem lá, pressupondo que o lá é o poder regional, nem cá, pressupondo que o cá é uma oposição forte, como qualquer governo precisa para governar como deve ser. E um governo com uma oposição incisiva, unida e perspicaz, consequente, governa sempre melhor. E um dos problemas do Governo de Miguel Albuquerque é ter uma liderança pouco dinâmica que vá além das conferências de imprensa desgarradas e numa luta para ver quem aparece mais, se o líder, se o líder parlamentar, se o deputado à Assembleia da República, que como já se viu tem agenda própria que às vezes pode resvalar para uma imagem de desarticulação que não é boa para qualquer partido.

Mas é sempre mau, para a própria democracia, este desequilíbrio entre governo e oposição. Quando a alternativa ao partido do poder é o próprio partido do poder, por falta de alternativa de partidos que estão em permanentes recomeços, estamos "condenados" a mais do mesmo, ou seja um PSD a governar e um PS a discutir. Porque é o sistema interno que não funciona que "queima" líderes e deixa a Madeira num quadro eterno do mesmo partido.

O PS Madeira tem pessoas válidas, capazes de serviço à Madeira. Desde sempre, mas também agora. Não tem organização interna, arrumação interna, e penso que o longo período de oposição trouxe um outro grande problema que se prende com querer chegar ao poder lutando mais por dentro do que propriamente contra o adversário principal, o PSD. Foi assim com todos os líderes, uns mais fracos, outros mais fortes, mais ou menos competentes, mas todos trucidados por dentro. Até Cafôfo, que foi aquele que teve mais perto do objetivo, acabou igual aos outros numa sucessão de "tiros nos pés" que vem "desaguar" com a entrevista de hoje, no DN, onde no fundo diz que deu "corda a mais" a Miguel Gouveia. Se este PS-M de Sérgio Gonçalves, com o apoio de Paulo Cafôfo, quer unir o partido, começa bem...mal. É cá um sentido de oportunidade.

É verdade o argumento que diz Cafôfo, na perspetiva do PS-M e do que aconteceu em 2019 do ponto de vista político: o CDS deitou fora toda a luta de 40 anos contra o regime e aliou-se ao PSD retirando uma possibilidade histórica de haver alternância política na Madeira. Foi um momento único que dificilmente voltará a repetir-se porque nunca tantos fatores se conjugaram em torno de um objetivo. Ali, foi muito mais do que o PS-M a determinar, não era o valor do PS-M em votos, foi a sociedade civil a reagir acreditando que Cafôfo, que tinha capital trazido da Câmara do Funchal, era aquele que poderia protagonizar a mudança. Falhou por pouco. E em vez de servir para empolgar ainda mais o maior partido da oposição, serviu para uma grande "depressão" interna, que nunca mais parou. É como aquela equipa que joga com um grande, está a ganhar e perde nos últimos minutos. É uma deceção quase irreparável.

Neste momento, o PS-M mudou de líder mas parece ter voltado à "casa de partida" deste jogo político, com declarações e entrevistas que trazem ao de cima "feridas" não saradas, umas antigas, mas outras recentes. A forma como Cafôfo geriu a entrada no partido, as escolhas e a estratégia, difícil, de ser oposição, sem uma liderança parlamentar com experiência no meio, acabaram por ditar novos problemas que acresceram aos já existentes. E Cafôfo, que tem qualidades políticas e de empatia com o eleitorado, perdeu algum caudal de apoio e deve reconhecer, e assumir, alguma falta de solidariedade direta a Miguel Gouveia, que não tem nada a ver com autonomia de estratégia eleitoral, mas de demonstração pública que o PS-M estava ali, sem reticências, ao lado do seu candidato, sendo verdade que Miguel Gouveia também pode ter alguma responsabilidade de considerar que o PS, tal como estava, mesmo com Cafôfo, já em défice de popularidade, era mais prejudicial do que benéfico.

Mas a questão fundamental é que o PS-M, que saiu de um congresso no domingo, já anda por esta "batalha campal" nem passou uma semana. É mau para o partido, mas é muito mau para a democracia na Madeira e o princípio de um governo forte, uma oposição forte e uma Madeira forte.

Não funciona este princípio: "Apoio mas..."

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