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  • Henrique Correia

Até parece que a Democracia atrapalha...

Não era Carlos Pereira acusado de confundir as suas empresas com o Marítimo? Para quem quer assumir a liderança com "folha limpa...




Foto DR


A Democracia não é perfeita, não há sistemas perfeitos. Mas ainda assim, tenho para mim que é o menos mau, com todos os "defeitos" que tem. E tem muitos. Tem um problema, é como as crises de crescimento, também há crise da liberdade de expressão e da partilha de poderes que os princípios do "um por todos, todos por um" ou "duas cabeças pensam melhor do que uma", aconselham mas que, não raras vezes, será "pior a emenda do que o soneto". A Democracia é importante, mas será que quase 50 anos depois do grito de liberdade, sabemos viver e conviver com a Democracia? Será que a partilha incomoda, o poder corrompe e a Democracia dá jeito para democratizar a Ditadura?

Claro que do ponto de vista global, vivemos num regime democrático, há votos, há escolhas. E ainda bem que assim é, na política, mas também em muitas outras atividades de eleição, como sejam as associações, o desporto, tudo aquilo que vai a votos mas que em meios pequenos a mudança assusta, a liberdade de expressão atrofia e a Democracia atrapalha, de tal modo que as lideranças que se eternizam acabam por cristalizar o poder e tornar o eleitorado quase com um comportamento que nem a robótica, que dizem ser o futuro sabe explicar. Quase meio século depois do 25 de abril de 74, andamos ainda à procura da Democracia plena. Em todo o lado.

E é de tal forma evidente, com algumas provas em diversos setores de atividade que às vezes até parece que a cultura do líder, a necessidade de idolatrar quem lidera por muito tempo, tira o discernimento para uma outra escolha que a liberdade contempla mas para a qual não estamos preparados.

Claro que todos se lembram de Jardim, claro que todos se lembram de Carlos Pereira,em dois patamares muito diferentes, eleitos democraticamente em sucessivos mandatos e com maiorias absolutas que as lideranças "musculadas" provocam e perduram, legitimadas pela vontade do povo, que se conforma com a política de um honem só, que decide quase sem consulta. E passado um tempo, o povo quer mudar, muda e depois não sabe o que fazer com a mudança. De repente, é muita gente a "mandar palpites". E já vemos Albuquerque a fazer de Jardim com avisos de empurrões para o "olho da rua" no PSD-M.

Veja-se o caso do Marítimo, não havia semana em que não se questionasse a liderança de Carlos Pereira. Ou era o pacote de jogadores, ou eram os interesses em jogo, ou era que mandava mais do que os treinadores, o que nem era caso único, ou era ainda porque tinha órgãos para consultar, até consultava, mas decidia normalmente sozinho. E não tinha oposição, até havia a crítica que todos criticavam e ninguém se chegava à frente. Até que apareceu Rui Fontes, com promessas de mudança, Democracia, divisão de poderes e opiniões livres. Os maritimistas respiravam de alívio, mas os resultados e cada um a dizer o que quer, foi situação que resultou, repentinamente, numa democracia de "pés de barro". Parece que o Marítimo não sabia viver democraticamente.

E novos protagonistas apareceram, de repente aos montes, alguns parecem "testas de ferro" e outros com uma promessa de "visão melhor" através do empresário do grupo Alberto Oculista. O que fariam a Carlos Pereira se tirasse fotos de grupo contestatário da liderança Marítimo nas bombas de gasolina, na empresa de areia ou nas rent-a-car? O que fariam se Rui Fontes publicasse fotos junto à Brandimporte? Como se mudam as vontades e os tempos...Não era Carlos Pereira acusado de confundir as suas empresas com o Marítimo? Para quem quer assumir a liderança com "folha limpa" não pode cometer os mesmos erros para que não se diga o que pode parecer: andam todos ao mesmo.

Até parece que a Democracia atrapalha...

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