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  • Henrique Correia

Até que a violência mate...



Não sei o que aconteceu, em termos judiciais, em todos esses episódios de pancadaria, de destruição pública, de autênticos "rambos primários", na Madeira e no Porto Santo.





Não sei no que é que deu aquela pancadaria à porta das Vespas, a discoteca eternamente na moda, envolvendo adeptos do Guimarães, mais uma vergonha que começa a ser imagem de marca na diversão noturna e que deixa famílias inteiras em desespero com a segurança de filhos e filhas, ainda que alguns desses filhos e filhas sejam, eles próprios, protagonistas de desacatos que nem a idade e o álcool atenuam a gravidade de comportamento.

Os episódios acontecem, as redes ditas sociais amplificam, neste caso bem, porque é preciso dar visibilidade a estas tristes realidades de uma sociedade conformista, mas desde logo o assunto é passado até que um dia o filho de alguém perde a vida e esta mesma sociedade, que protesta de sofá, indigna-se no mesmo sofá, uma indignação contra si própria, porque não foi capaz de formar, de educar e de transmitir os valores que pudessem sustentar a importância de um valor sublime: a vida.

Não sei o que aconteceu, em termos judiciais, em todos esses episódios de pancadaria, de destruição pública, de autênticos "rambos primários", na Madeira e no Porto Santo. Provavelmente, nada. Mas o que sei é que estas situações são recorrentes, no País em larga escala, na Região em menor número e dimensão, mas sempre com uma marca comum: impunidade. Desta vez envolveu adeptos do Guimarães, mas podia ser de outro clube qualquer. Se existem situações em que a impunidade é garantida, essas situações são a noite e o futebol. Quando se juntam, é muito pior.

E vamos condescendendo. E de condescendência em condescendência, vamos até ao final, a morte. Foi o que por exemplo sucedeu em Lisboa, ao que dizem envolvendo grupos de ginásios, com fuzileiros à mistura, e polícias de folga que tentaram acalmar os ânimos, mas ao que afirmam alguns relatos, foram confundidos como uma dos grupos da "porrada residente". Tristes, muito tristes, estas avaliações, feitas no pressuposto da normalidade própria do tempo das "cavernas", onde a cabeça da força superioriza-se à força da cabeça, com o resultado que se viu: morreu um jovem polícia de 26 anos.

Mas estas situações não podem, de forma alguma, ser dissociadas de um certo comportamento vigente, com carências enormes por parte de alguns pais, designadamente no respeito (na falta dele) pelos outros nas diferentes convivências diárias, no trabalho, em casa, em comunidade, que constituem dos piores exemplos mas que deixam raízes que conduzem um resultado desastroso. Nem de propósito, enquanto escrevia o artigo, mesmo ao lado, ia havendo uma pancadaria entre grupos de miúdos. Era quase na hora do almoço. Num café e com tanta gente. Um ainda levou uma chapada, mas ficou-se, caso contrário ia dando bronca. Os outros, os nossos homens e mulheres do futuro, ficaram a ver os "heróis", neste caso durou pouco, mas foram assim que começaram os grandes casos do género, mais graves. E ninguém pensa que um qualquer azar, em resultado de uma esperteza saloia, pode matar.

Penso para mim o que já tinha como certo: isto não vai parar e não se resolve com "pancadinhas" nas costas.

Assim, temos futuro garantido...



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