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  • Henrique Correia

Aumenta a perspetiva de concentração de votos em Gouveia e Calado, o voto útil


Pedro Calado no debate da TSF "chama" a governação do PSD para lembrar sucesso de um projeto social democrata, Miguel Gouveia o que pode: "trabalho" na Câmara do Funchal.





Já se previa uma bipolarização nas eleições autárquicas para o Funchal, o que será arrasador para os chamados pequenos partidos, um pouco à semelhança do que aconteceu relativamente às últimas eleições regionais, onde a concentração de votos no PSD e no PS acabou por ditar uma configuração menos abrangente, no Parlamento, do ponto de vista da diversidade representativa.

Independentemente das sondagens e do resultado de domingo no Funchal, a realidade aponta para a adoção do chamado voto útil, na Confiança ou na coligação PSD/CDS, deixando pouca margem de manobra para as forças políticas que vão disputar as posições do terceiro lugar para trás.

Devemos estar perante as eleições mais disputadas dos últimos anos. O Funchal, por tudo o que envolve enquanto principal Autarquia da Região, tem acrescido o facto de haver, por parte do PSD Madeira, coligado com o CDS, uma aposta muito forte na vitória, sendo que para isso puxou o candidato mais forte, Pedro Calado, recrutado para esta luta local à custa de "sacrificar" a vice presidência do Governo. E este tudo ou nada foi criando uma expetativa para saber até que ponto Miguel Gouveia, independente mas com o apoio do PS, vai resistir ao seu opositor, com o apoio da máquina partidária, do PSD e parcialmente do CDS, mas também com o apoio do Governo, com tudo o que isso implica na prática em matéria de influência direta ou indireta do eleitorado. Sucederam-se as iniciativas, as promessas, o aproveitamento claro do que é competência do Governo passada como se fosse da Câmara, mas também um exercício de poder da atual gestão camarária em contexto da ação política da Confiança. Cada um usou as armas que tinha, que podia e não podia utilizar, ao ponto de fazer de campanhas passadas uma espécie de "meninos do coro" perante o que se tem passado.

Mas domingo, dia das eleições, a bipolarização é quase certa para a Câmara Municipal. Há muito futuro em causa, do ponto de vista autárquico, mas muito mais além do que isso, do ponto de vista partidário, onde todos deram tudo e haverá sempre um vencedir e um vencido. A concentração de votos, presume-se pelo interesse e o que está em jogo, será uma realidade, sendo que a redução da abstenção deverá, também, ser um facto em função dessa previsível maior mobilização.

A sondagem do DN de hoje, dando um empate técnico, contraria em muito a de ontem, do JM, onde Calado vencia de forma clara. Não são coincidentes em quase nada, o que revela a dificuldade que as empresas de sondagens têm relativamente a avaliações na Madeira. As pessoas não respondem e muitas respondem de forma irrelevante para poder ser feita uma abordagem o mais próxima possível da realidade. Por isso, os indicadores valem o que valem.

Curiosa a apreciação que Pedro Calado fez hoje no último debate com Miguel Gouveia, na TSF, puxando a longa vida do PSD na governação para tentar comprovar a credibilidade de um projeto social democrata na Câmara, o seu projeto. Um claro apelo ao eleitorado fiel ao PSD Madeira, embora essa base de apoio de mais de 40 anos, com Jardim a liderar, tenha quebrado precisamente em muitas freguesias do Funchal.

Miguel Gouveia não pode agarrar-se, com este "unhas e dentes" ao PS como Calado o faz ap PSD, funcionando muito mais o que fez na mudança autárquica que retirou maioria ao PSD, do que propriamente à base de apoio, o PS, que ganhou algumas câmaras, mas nunca chegou ao Governo Regional.

Mas domingo, o eleitorado é que vai saber, é soberano, mesmo que muitos nem saibam ao que vão. Mas é a regra da democracia, até prova em contrário, ainda é o menos mau dos sistemas.











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