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  • Henrique Correia

Barreto diz que recebeu "carta branca" mas teve alguns "cartões vermelhos"


CDS vai coligado com o PSD no Funchal, Santa Cruz, Ponta do Sol, Machico e Porto Moniz. Santana e Porto Santo ainda em análise


A Comissão Politica Regional do CDS deu "carta branca" ao líder Rui Barreto para negociar a estratégia autárquica e as coligações com o PSD, com quem já tem um acordo de governação regional e quer alargar essa parceria no Poder Local. A Comissão mandatou o líder, diz uma nota do partido, com "esmagadora maioria", com apenas dois votos contra. O que o texto não diz é que foram passados alguns "cartões vermelhos" à liderança, não pelos votos, mas sim pelos alertas e pelas criticas, essencialmente às coligações que estarão a ser "cozinhadas" com o PSD, que muito antes desta "carta branca" a Rui Barreto, já tinha anunciado, como se fosse em nome dos dois partidos, a coligação pelo Funchal, através de uma declaração de Miguel Albuquerque, que só falta mesmo anunciar o avanço de Pedro Calado.

No texto enviado pelo gabinete de comunicação do partido, é referido o acerto da coligação no Funchal, sendo que a estratégia dos centristas não muda, "face àquilo que já foi dito e repetido por Barreto. CDS e PSD devem ir juntos nos concelhos onde são oposição, Santa Cruz, Machico, Porto Moniz e Ponta do Sol".

De fora ficam Câmara de Lobos - onde o CDS já anunciou a candidatura de Amilcar Figueira, atual vereador e secretário-geral adjunto dos centristas -, Calheta, onde o cabeça-de-lista centrista será anunciado nos próximos dias, Ribeira Brava e São Vicente, municípios nos quais o partido apoiará os movimentos independentes liderados, respetivamente, por Ricardo Nascimento e José António Garcês".

O CDS diz que "Santana e Porto Santo são casos a serem analisados cuidadosamente pela estrutura do CDS, não estando, para já, uma estratégia definida".

Mas esta Comissão Política, que surge na semana anterior à realização da Comissão Política do PSD, teve registos claros de oposição relativamente as coligações, com a Juventude Popular e a Ponta do Sol a manifestarem o seu posicionamento crítico relativamente à estratégia seguida o partido, sublinhando a importância de salvaguardar a identidade do partido no Poder Local, sem a subalternização que pode estar subjacente a esta negociação.

Curiosamente, Rui Barreto adiou uma decisão em Santana e Porto Santo, depois de notícias vindas a público no sentido uma coligação CDS/PSD, com Dinarte Fernandes como candidato a presidente.

A verdade é que, hoje, na Comissão Política, Dinarte andou mais pelo nim, umas vezes discordando, outras concordando, outras ainda nem por isso. Mas foi suficiente para ganhar tempo, pelo menos, sem um sentido expresso contra Rui Barreto, mas deixando alguns alertas.

De resto, na base genérica desta Comissão, dizem várias fontes, esteve uma marca de registo deste CDS, um elogio à governação, um olhar para o umbigo, muito perto daquele deslumbramento que o líder da JP Madeira falou numa entrevista ao Diário. No fundo, dizem, um CDS mais PSD do que o próprio PSD. Mas com um aviso de Mário Pereira, o médico que foi antigo deputado e protagonizou o complexo episódio da direção clínica do SESARAM, sendo quase obrigado a demitir-se. Por isso, Mário Pereira disse saber daquilo que o PSD era capaz e que tinha sido vitima disso.

Entretanto, no texto do partido , Rui Barreto disse perceber “as dinâmicas concelhias” e na declaração que fez aos membros da CPR, afirmou “entendo que em todos os concelhos, o CDS tenha pessoas válidas e com trabalho feito, mas compete-me, enquanto líder regional, olhar para o todo e não para as partes, gerindo equilíbrios, com ponderação e com bom senso, sem esquecer que a estabilidade governativa não pode ser posta em causa, sobretudo num tempo que exige unidade e consensos, para conseguirmos superar a crise de dimensões ímpares que a pandemia semeou”, acrescentou o líder do CDS.

“Todas as decisões serão tomadas com base na necessidade de equilíbrio, colocando sempre, em primeiro lugar, o interesse das populações, a busca de consensos para ultrapassar a crise e, finalmente, os interesses do partido. Nenhum madeirense me perdoaria se invertesse estas prioridades, ou seja, se colocasse, à frente da defesa das populações e da busca dos necessários equilíbrios, os interesses do partido, que bastas vezes são confundidos com interesses individuais ou de grupo”, concluiu Rui Barreto.






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