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  • Henrique Correia

Bastonária perde a "pose" contra "a gorda fura filas"


"Enquanto milhares, sim milhares, de fura filas se esgatanham para passar à frente de todos na vacinação, lutamos todos os dias para trazer um pouco de paz ao caos instalado"



Também não gosto dos "fura filas". Para dizer a verdade, não gosto dos "furas", seja do que for, há os "furões" que já vêm quando a gente ainda vai e com eles não vale a pena, chegam sempre primeiro, estão lá sem dizer "batatas duas vezes". Pura e simplesmente, estão. Estão só para estar. Não tenho nada com isso, mas não gosto.

Mas esta história dos "fura filas" tem história, de quem não dá "Cavaco" a ninguém para exprimir a opinião, se bem que exprimir, no caso, seja um belo termo para debate à flor da terra. Pois bem, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, não é um enfermeiro qualquer, arisco com a vida ou farto de trabalhar no risco, é mesmo a bastonária, tem assumido posições críticas, e bem, sobre aqueles a que chama de "fura filas", na prática os que passam à frente na vacinação contra a Covid-19, ou porque estão na pastelaria mais próxima ou a mãe do padre, que não anda no lar mas vive com o padre, que anda lá em missão espiritual, ou a presidente da Câmara que tem o poder ali ao pé e deita a mão à vacina assim que pode. Ana Rita Cavaco, assim se chama a senhora bastonária, tem razão em estar furiosa, sendo que expressa o que muito bem entende num espaço em que a criatividade se confunde e a expansão de sentimentos traz ao de cima o que temos, ali, num canto qualquer, bem guardado para mandar a um sítio, com todas as letras, um ser que nos jndigne de tal forma que não possamos conter a linguagem. Mas para a gente, num momento, sem muita a gente a ver, sobretudo se ocuparmos uma posição pública, a exigir contenção, mesmo que possa não haver classe.

A senhora bastonária publicou, na sua página do Facebook, críticas sobre os "fura filas". Primeiro, assim: Enquanto milhares, sim milhares, de fura filas se esgatanham para passar à frente de todos na vacinação, lutamos todos os dias para trazer um pouco de paz ao caos instalado. Mais uma Enfermeira que resgatámos de um lar, a única no meio dos infectados. Uma vergonha a desorganização, o desrespeito pela vida de todos. Não concebo isto. Os que têm mais responsabilidade que os demais, que deviam cuidar dos mais frágeis, estes agentes políticos de araque, são os primeiros a querer salvar-se, qual ratos de porão a fugir durante o naufrágio. A minha mãe vive na casa de saúde da idanha, está há quase um mês de pijama, sem ver televisão e come no quarto, como todas as outras. Agora nem banho tomam há dias. Tudo porque utentes, Enfermeiros e restantes profissionais de saúde ainda não foram vacinados. Não é sós revolta que sinto, é nojo".

No essencial, tirando um ou outro termo, a crítica é pertinente. Mas depois teve esta pérola para estragar o "verniz": "Presidente da Câmara de Portimão. A gorda fura filas. Malvada a hora que nasci magra".

Então, senhora Bastonária? Que linguagem é esta? Uma coisa é a senhora Cavaco andar em amena "cavaqueira", sem ter que dar "cavaco" a ninguém, outra coisa é manter o Cavaco maiúsculo, erguido pela responsabilidade de não poder dizer tudo o que lhe vem à cabeça, mesmo no mundo "livre e solto" do Facebook. Pela Ordem, sobretudo...




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