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  • Henrique Correia

Bispo alerta: "Desorientação social, mentira, incapacidade de soluções humanas"


"Se para alguns (poucos) a vida é um mar de rosas (mas será que é?), para a esmagadora maioria, a existência é uma luta constante por um bem-estar mínimo".




Podemos dizer sem grande margem para erro que o Bispo do Funchal "endureceu" o seu discurso com mensagens que têm, simultaneamente, uma razão de ser, em razão da crise, e destinatários bem concretos, os que têm a responsabilidade do rumo que a vida leva nas suas diferenças e semelhanças que expressam um quadro preocupante.

D. Nuno Brás foi ao Monte e dali deixou bem visível que a Igreja, pelo menos na Madeira, está atenta a diversos aspetos que preocupam a sociedade. Se a política e os políticos fazem passar a mensagem que ninguém quer trabalhar e que o trabalho já não é das nove às cinco, mas preparado para tudo, o Bispo vem descrever o estado da vida, hoje: "Depois de uma pandemia, uma guerra. Depois de uma guerra, o aumento do custo de vida que torna tudo mais difícil, e impõe, de novo, o regresso da austeridade. E poderíamos continuar a descrição do momento em que vivemos com a referência à desorientação social, à mentira que campeia, à incapacidade de encontrar soluções humanas para a vida, à desumanidade do trabalho que torna escravos a tantos seres humanos... e tantos outros sintomas duma diminuição do humano e da sua dignidade que pressentimos em nós e à nossa volta! Se para alguns (poucos) a vida é um mar de rosas (mas será que é?), para a esmagadora maioria, a existência é uma luta constante por um bem-estar mínimo, senão mesmo pela sobrevivência".

D. Nuno Brás acrescenta: "Alguns dirão que não há nada a fazer, e que o hoje nos deve bastar: é o "carpe diem", o "aproveitar o momento", que nos convida a retirar do presente todo o gozo e prazer que ele nos pode oferecer, uma vez que o futuro é desconhecido e incerto.

Por isso, a questão não é apenas legítima, mas impõe-se: podemos ter esperança? Podemos olhar o futuro com alguma confiança e deitar os pés ao caminho? Podemos esperar que Deus nos conceda a sua graça (o seu amor abundante e gratuito) em cada momento da nossa vida, de modo que esta possa ter um sentido digno dum ser humano? Podemos ter esperança?"

O Bispo continua: "Sim: o nosso destino; a nossa meta; o objectivo da nossa vida não é uma glória passageira - aquela glória momentânea que os Meios de Comunicação oferecem, ou que os chamados "Ídolos da moda" prometem. Não: tudo isso é demasiado pequeno, insuficiente para aquele que se deixou encontrar por Cristo. A nós apenas nos é suficiente o Céu, a glória de Deus. Não porque sejamos melhores que os outros (mais sábios, mais fortes ou mais velozes) mas porque, como Maria, trazemos connosco, em nós, o Deus feito Homem. Trazemos connosco o Céu!"

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