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  • Henrique Correia

Cafôfo com "palco" nacional para chegar à Região


Num enquadramento em que se fala na alternativa a Albuquerque mais viável dentro do PSD do que no PS, a estratégia de Paulo Cafôfo foi ter outro palco para poder fazer o caminho caminhando.




Quando Paulo Cafôfo ganhou a Câmara do Funchal, num contexto de confluência de mobilizações visando a alternância de poder, foi acionado uma espécie de catalisador como factor determinante para que a hegemonia do PSD fosse posta em causa, primeiro através do poder local e depois numa transposição para o poder regional. Eram indícios favoráveis numa estratégia de mudança, como nunca acontecera, nesta dimensão, em quatro décadas de governação social democrata.

Para esta estratégia, Cafôfo era a esperança, já fazia lembrar Miguel Albuquerque a fazer "capital" para ter "crédito" na Quinta Vigia: simpatia, empatia, alguma harmonia que acabava por agradar ao eleitorado. Albuquerque chegou assim ao poder. Cafôfo, pensava ele e pensaram muitos madeirenses, podia ser uma espécie de D. Sebastião, nem precisava surgir do nevoeiro, estava ali à mão e com tudo ali ao pé para atingir objetivos que tinham na Quinta Vigia o expoente máximo. E quase chegava lá, ainda hoje o próprio Cafôfo e alguns próximos lamentam que o CDS, que levou a vida inteira a "massacrar" o PSD Madeira, mais do que o próprio PS, fisse agora a salvação social democrata para manter a governação regional quando o PSD perdeu a maioria absoluta. Com a salvação do PSD, veio o afundamento de Paulo Cafôfo. É difícil ser oposição e manter essa chama de esperança. É ainda mais difícil fazer oposição regional tendo oposição interna, no PS, por ser um partido tradicionalmente difícil para os seus líderes, mas também porque houve alguma inabilidade dos homens de Cafôfo na forma como "tomaram conta do partido". Depois dessa "falsa partida", foi sempre a descer e o efeito Cafôfo esfumou-se, ele próprio viu isso mas já nada havia a fazer.

Com um palco fraco e pouco mobilizador perante um PSD "regenerado" e fortalecido, o que aconteceu depois foi inevitável: ao crescimento do PSD, o PS não soube responder, era difícil. Se Cafôfo continuasse líder, era o seu fim na política. Aquele palco não servia, como de resto não serve ao atual líder Sérgio Gonçalves, cuja capacidade é inquestionável, mas cujo carisma e afirmação de liderança visível deixam muito por avaliar. Só se melhorar com o tempo. E apesar de tudo, por muita dialética político partidária que exista, Cafôfo ainda é um ativo que pode ressurgir no futuro, mesmo tendo em conta o que já perdeu. E foi muito.

Num enquadramento em que se fala na alternativa a Albuquerque mais viável dentro do PSD do que no PS, a estratégia de Paulo Cafôfo foi ter outro palco para poder fazer o caminho caminhando, na esperança de chegar a 2023 com uma imagem recuperada, sem os contratempos da política regional e com uma ação política que tem mais a ganhar do que a perder. Além de que a sua estratégia, já se viu, passa por uma permanência nos jornais da Região, quase diária, da ação política enquanto secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, numa opção que tem como objetivo não perder contacto regional, a que se junta a presença em sessões solenes de dias do concelho, com lugar de honra na mesa. Nada é por acaso, por muito que diga não concorrer com o Governo Regional. A questão, agora, é saber se vai dar o resultado que parece pretender.

Mas é claro que esta postura incomoda o PSD Madeira, com comentários que objectivamente tentam apoucar Cafofo na sua estratégia. Porque no fundo, o PSD sabe que Cafôfo perdeu fulgor mas não perdeu ambição. Como já se viu. Jardim viu isso tudo e numa das suas publicações escreve: "Não foi o Interesse de Estado que levou Cafôfo. Foi para criar nova figura anti-Autonomia: ”o representante do Primeiro -Ministro”...

O colonialismo não dá só gozo. É trágico quando Madeirenses e Portossantenses se agacham!"

E Jardim escreveu mais: "É claro Cafôfo ter ido para Lisboa a fim de reforçar as

provocações de um Costa ressabiado com os Madeirenses. Apresenta-se numa Câmara socialista a “representar o

Primeiro-Ministro”, quando a tutela autárquica É REGIONAL!...A repetir-se, o Gov. Reg. nem deve comparecer! AUTONOMIA".

Pode dizer-se que Cafôfo anda por aí. E à vista...



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