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  • Henrique Correia

Cafôfo "dentro e fora" não ata nem desata o partido


A escolha do número 2 da lista para a Assembleia da República, Miguel Iglesias, também fragiliza Cafôfo demissionário. Não pondo em causa a seriedade, não se livra dos comentários.




Aquilo que se passa no PS-Madeira é realmente muito estranho, não é que existam ilegalidades processuais, mas é estranho do ponto de vista do bom senso e da transparência. Sim, as situações podem ser pouco transparentes sem que sejam necessariamente ilegais. Um presidente demissionário nunca poderia assumir, de plena consciência, decisões tão importantes para o partido nos próximos quatro anos, como a lista de candidatos à Assembleia da República, uma eleição de deputados que irão futuramente lidar com uma direção nova.

Quase custa a acreditar que Paulo Cafôfo, de quem temos a noção de pessoa com bom senso, tenha deixado a situação chegar a este ponto, estando de saída, até já a desempenhar a sua atividade profissional, é professor, mas a decidir questões estruturais do partido nas horas vagas. Tem estado ausente das grandes discussões regionais, praticamente não tem feito oposição e quase parece que o atual líder parlamentar é o líder do partido tantas intervenções Rui Caetano faz numa semana em várias matérias, algumas que extravasam o próprio parlamento e que deveriam merecer interesse do corpo de liderança do partido, que está mas não está. E é neste quadro que a escolha do número 2 da lista Miguel Iglesias, também fragiliza Cafôfo. Não pondo em causa a seriedade, não se livra dos comentários.

Não sendo viável, eventualmente por timings curtos, processar diretas e congresso antes das eleições, então seria prudente Paulo Cafôfo estar a tempo inteiro e fazer oposição inteira. Não é isso que acontece.

Fazia todo o sentido que o processo de transição tivesse sido mais rápido e não se arrastar com gestão corrente para uns casos e decisões importantes noutros. Deixar para depois das eleições é um erro, mesmo admitindo que os prazos se calhar eram curtos. Assim, O PS-M vai para estas eleições legislativas nacionais completamente esfrangalhado, sendo que aquela posição pública do Dr. João Pedro Vieira, hoje - que aqui reproduzimos numa outra peça - colocando o "dedo na ferida" e dizendo que "o rei vai nú", apontando diversas situações que indiciam divisões internas de dimensões inimagináveis, pode significar o grito de alerta para quem deseja um PS forte, organizado e credível. Era bom para a oposição, mas também bom para o Governo, que com um PS assim, o suficiente chega. Ao PSD-M, uma equipa B até é capaz de viabilizar a eleição do deputado do CDS, que como se sabe vai em quinto.

Recorde-se que o PS-M marcou para 19 de fevereiro de 2022 as diretas para escolha do novo líder e agendou o congresso para os dias 12 e 13 de março.

Agora, o que esta feito, está feito. Mas vai ser, mais ou menos, um jogar de olhos fechados e seja o que deus quiser.


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