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  • Henrique Correia

Cafôfo quer consensos mas "ataca forte": máquina partidária tentacular alimenta o Governo

O Governo Regional «não pode proclamar o sucesso de medidas sociais» quando, na Madeira, existem 81 mil pessoas em risco de pobreza e, com 27,8%, apresentamos a segunda maior taxa de risco de pobreza do país.


Pode parecer um paradoxo, mas independentemente do que parece, Paulo Cafôfo, o presidente do Partido Socialista-Madeira defendeu, hoje, a existência de consensos na Região para ultrapassar os tempos difíceis que vivemos e propôs uma Agenda para o Crescimento e Emprego a pensar num outro modelo de desenvolvimento da Região.

Esta foi a primeira parte da intervenção no encerramento da conferência “Responder ao Presente, Preparar o Futuro”, promovida pelo recém-criado Gabinete de Estudos do Partido, que se realizou no Funchal. A parte que se segue já foi mais dura, mais crítica para com o Governo Regional e com o PSD. Digamos que consensos, sim, mas não ao preço do silência face à contestação. Por isso, antes de eventualmente surgir esse suposto "pacto" de entendimento sobre temas prioritários, como a pandemia eo emprego, Cafôfo não fez por menos e passou ao "ataque": "Na Madeira e no Porto Santo temos problemas estruturantes que são característicos de regiões ultraperiféricas como a nossa, aos quais se somam outros resultantes de «políticas repetidas e desajustadas que contribuíram para o fosso da desigualdade social, para uma desequilibrada distribuição da riqueza, taxas de desenvolvimento anémicas, uma população com níveis de escolaridade aquém e uma estrutura de apoio social assistencialista que não empodera as pessoas».

De acordo com Paulo Cafôfo, como refere uma nota do gabinete de comunicação do partido, "a crise económica e social já é por demais evidente e assume contornos assustadores, sendo que a «realidade é bastante díspar daquilo que a propaganda do Governo Regional, alimentada por uma máquina partidária insaciável e tentacular, nos faz querer ver». Tal como afirmou, a Madeira não é um bom modelo de desenvolvimento, não tem a economia vigorosa que proclamam, não protege as pessoas como o anunciam e, no que toca ao rendimento do trabalho e à inclusão social, não é um bom exemplo.

Fortemente crítico em relação à atuação do Executivo, o presidente do PS-M afirmou que "o Governo Regional «não pode proclamar o sucesso de medidas sociais» quando, na Madeira, existem 81 mil pessoas em risco de pobreza e, com 27,8%, apresentamos a segunda maior taxa de risco de pobreza do país. «Mais de um quarto da nossa população está em risco acelerado de perder autonomia financeira, potenciado pela situação crítica que vivemos», disse, acrescentando que a desigualdade na distribuição de rendimentos é, na Região, também muito superior ao valor da média nacional, com os 20% mais ricos a terem rendimentos 6 vezes superiores aos 20% mais pobres, um rácio que neste momento figuraria entre os 5 piores da União Europeia.

Falou dos últimos indicadores do desemprego, relativos ao terceiro trimestre do ano, que "nos atribuem a mais alta taxa do país, com 8,6%, e lembrou que, em julho, quase metade da população ativa madeirense encontrava-se em regime de lay-off ou desempregada".

O socialista referiu igualmente a falha na educação, apontando também que não há um desenvolvimento integral, harmonioso que permita uma igualitária distribuição da riqueza. Há um modelo de desenvolvimento depauperado e esgotado, dependente de atividades da construção civil e de empregos pouco qualificados, um modelo de desenvolvimento refém de interesses particulares», constatou.

Perante esta economia frágil e que «clama por medidas urgentes, necessárias e vigorosas que minimizem o impacto da crise nas vidas de quem mais está desprotegido», Paulo Cafôfo lembrou que o PS tem vindo a propor na Assembleia Legislativa um conjunto de medidas decisivas e imediatas para o alívio financeiro de empresas e famílias, para robustecer o nosso sistema de assistência social, proteger os empregos e salvaguardar a melhor acessibilidade à Saúde, mantendo a firme resposta à crise sanitária com os instrumentos adequados.

Entre estas, apontou um programa de apoio a fundo perdido no valor de 65 milhões de euros, canalizado em 70% para o turismo, que garanta a sobrevivência de empresas e salvar empregos. Cafôfo defendeu igualmente que deve haver um corte significativo em despesas supérfluas e uma diminuição das assessorias do Governo Regional, a revisão dos contratos das parcerias público-privadas rodoviárias e a extinção das Sociedades de Desenvolvimento. «É inadmissível que, em plena pandemia, o Executivo regional tenha transferido 28 milhões de euros para as sociedades para cobrir prejuízos, enquanto o Fundo de Emergência para Apoio Social teve apenas uma dotação de cinco milhões de euros», disse.


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