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  • Henrique Correia

Calado diz-se "alvo de campanha suja" e fala nas divisões do PSD-M


Candidato da coligação PSD/CDS ao Funchal diz que há uma "tentativa de utilização de grupos empresariais ligados à minha pessoa". Afirma ter boas relações com Jardim mas é de Pedro Coelho que Jardim é mandatário.




Pedro Calado saiu do Governo, onde era vice presidente, como se sabe, para se dedicar inteiramente ao processo de candidatura à Câmara do Funchal. E na semana em que sai, concede uma entrevista ao DN Lisboa, com várias declarações que podemos considerar surpreendentes, de reconhecimento de divisões no partido, no passado, mas também de perseguições de que é alvo, ao que diz, pela oposição, com o PS à cabeça, o que constitui algo novo que, internamente, ainda não tinha sido "denunciado" nem pelo candidato nem pelos próximos.

O título é forte: "Sou alvo de uma campanha eleitoral baixa... suja, negra, de difamação". É verdade que é mais título do que conteúdo, vendo bem ao que se refere: "Sou um alvo, a campanha que esta oposição faz é uma campanha muito negra, de difamação, e sobretudo de tentativa de utilização de grupos empresariais ligados à minha pessoa, quando a única relação que tenho com esses grupos é uma relação de trabalho, profissional".

Pedro Calado admite que a perda da Câmara do Funchal, então para Paulo Cafôfo, teve a ver com as disputas internas que dominaram a transição Jardim Albuquerque: "Julgo que o que esteve na base, em 2013 e 2017, para perdermos a Câmara do Funchal foi essencialmente o facto de termos saído de uma disputa muito grande, interna, dentro do partido, do PSD. Recordo que as eleições internas que antecederam as autárquicas de 2013 foram muito competitivas, depois de quase 40 anos de domínio de um só homem dentro do PSD-Madeira, o Dr. Alberto João Jardim. Nós tivemos eleições com seis candidatos internos e isso dividiu muito as hostes. Aquilo que se fez depois de 2017 foi a união do partido, a junção das várias

fações que existiam dentro do partido".

Com Jardim, diz ter as melhores relações, até foi buscar o seu chefe de gabinete Nuno Olim. Mas Jardim não é o seu mandatário, Pedro Coelho ganhou essa "corrida": "Tenho excelentes relações com o Dr. Alberto João Jardim. A prova disso é que quando vim para o governo regional, em 2017, fiz uma aproximação a todo o nosso partido. Aliás, a pessoa que veio trabalhar comigo como chefe de gabinete foi o chefe de gabinete do Dr. Alberto João Jardim. Ele tem estado comigo variadíssimas vezes, trocamos opiniões, falamos, de vez em quando almoçamos ou jantamos juntos. Ele esteve aqui na abertura da sede de campanha, vai estar no próximo sábado no nosso comício de apresentação de todos os candidatos e dialogamos muitas vezes. A única diferença é que o nosso candidato em Câmara de Lobos convidou o Dr. Alberto João Jardim para ser seu mandatário".

Sobre a Câmara de Miguel Gouveia, acusa-a de excessiva burocracia: "É raro o promotor que não enfrenta uma travessia no deserto superior a dois ou três anos só para fazer os licenciamentos de projetos imobiliários. E muitas vezes são capitais que vêm do estrangeiro, dos nossos emigrantes. Não estou só a falar de grandes investimentos, até particulares que pretendem ver construída uma moradia familiar, por exemplo, demoram nunca menos de dois anos a conseguir o licenciamento por parte da câmara".





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